Homens das certezas

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Homens das muitas certezas, vocês ficaram pesados e pequenos demais. Ambiente sem frestas, sem horizontes, áridos.

Soberbos negam que a vida seja mistério e acorrentam-se na verdade que angustiadamente constroem. O esforço pela admiração os diminui.

Convencem o mundo apenas para convencerem-se de que jamais serão esquecidos.

Vaidosos, seduzidos por si próprios, requerem servos. Os que não seguem não servem.

Homens cheios de certezas entrincheirados nos claustrofóbicos reinos que se esforçam para construir com muitas e muitas e muitas palavras. Requerem a divindade para si.

Tristes donos da verdade, não fazem perguntas, não demonstram dúvidas, não admitem jamais que suas tantas certezas lhes aprisionaram. Acorrentados nas próprias razões, tristes e pequenos demais.

A ciência e a religião

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Quando a ciência se torna dogmática e cheia de certezas fica parecida com a religião. Quando a religião abusa de argumentos científicos unicamente racionais perde o mistério e a poesia.

Teoria Dunning-Krueger

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Já ouviu falar sobre a teoria Dunning-Krueger? Foi publicado no fim de 1999 no Journal of Personality and Social Psychology. Vou te poupar, leitor de facebook, dos dados tecnicos.
Interessa o resultado: “…é o fenômeno pelo qual indivíduos que possuem pouco conhecimento sobre um assunto acreditam saber mais que outros mais bem preparados, fazendo com que tomem decisões erradas e cheguem a resultados indevidos; é a sua incompetência que os restringe da habilidade de reconhecer os próprios erros. Estas pessoas sofrem de superioridade ilusória.

Em contrapartida, a competência real pode enfraquecer a autoconfiança e algumas pessoas muito capacitadas podem sofrer de inferioridade ilusória, achando que não são tão capacitados assim e subestimando as próprias habilidades, chegando a acreditar que outros indivíduos menos capazes também são tão ou mais capazes do que eles. A esse outro fenômeno dá-se o nome de síndrome do impostor.” Isso clareia as coisas?

O Rio do tempo e nossas dores – Rubem Alves

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Rubem Alves: “O Rio do Tempo faz todas as coisas desaparecerem.
Por isso nada é importante.
Nossas ansiedades também estão destinadas ao Rio. Também elas desaparecerão em suas águas.
O seu sofrimento se deve a isso, que você se sente importante demais, que você não presta atenção na voz do Rio.
Quando nos sentimos importantes nós ficamos grandes demais. E junto com o tamanho da nossa importância cresce também o tamanho da nossa dor.
O Rio nos torna pequenos e humildes.
Quando isso acontece a nossa dor fica menor.
Se você ficar pequeno e humilde como nós, você perceberá que somos parte de uma grande sinfonia. Cada capim, cada regato, cada nuvem, cada coruja, cada pessoa é parte de uma Harmonia Universal”

Olhos de pai

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Um dia eu disse ao Flavinho que, desde cedo, sempre que eu via alguém na idade dele, sentia como se fosse um pouco meu filho.
Era fácil quando ele tinha três, quatro anos, mas pensava que com o tempo as coisas mudariam.
Não mudaram.
Hoje vejo adolescentes aos dezesseis e até um pouco mais velhos como filhos.Não só eles, mas é como se eu fosse uma espécie de pai em potencial de todos os que passaram pela idade que ele passou.
“É provável que chegue um dia em que você tenha a idade que tenho hoje e eu, velhinho, verei todos os quarentões como filhos”. – comentei com ele.
“Talvez seja por isso que os velhos costumam chamar todos por “meu filho””.
Sim, talvez seja isso!
Ser pai de todos, aceitar e tratar todos como se fossem filhos, viver com olhos de pai.
Desconfio que nenhuma experiência seja mais próxima de entender Deus do que essa.

Em toda parte sempre o mesmo

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Hermann Hesse e os tempos que se repetem, e aquela nossa mania de transformar o passado em ideal utópico e nos escondermos nele cheios de medo. Em toda parte é sempre o mesmo:
 
“Lembrei-me dos honrados burgueses de minha cidade natal, velhos e dignos senhores, que conservavam a recordação de seu tempo de estudantes como a memória de um paraíso bem aventurado e consagravam à perdida “liberdade” daqueles anos um culto como o que poetas e outros românticos dedicam à sua infância.
Em toda parte era o mesmo!
Todos homens buscavam a “liberdade” e a “felicidade” num ponto qualquer do passado, só de medo de ver erguer-se diante deles a visão da responsabilidade própria e da própria trajetória. Durante alguns anos farreavam e bebiam, para logo se submeterem ao rebanho e se converterem em senhores graves ao serviço do Estado.” H-Hesse (Demian)