Conhecimento e consciência

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Ciência não gera consciência. O conhecimento é apenas uma ferramenta e, como tal, será bem usado com sabedoria e discernimento.

Não basta entender os livros e as fórmulas se não for capaz de projetar significados.

Quando se trata de informações, computadores são melhores do que nós.

 

 

Mestres que não sabem que são

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Em determinada fase de nossas vidas, mestres são necessários. Os pais, os mais importantes, são os que nos acolhem na total ignorância. Precisamos dos cuidados, dos provimentos, da atenção, da educação que tem um objetivo: Nos ensinar a seremos independentes. Sem independência jamais haverá liberdade.

Pais super protetores tendem a gerar adultos frágeis e inseguros.

Sou pai de um adolescente e me esforço para não me esquecer de que essa é a fase em que meu amor deve trabalhar para fortalecer as asas do meu filho, jamais na construção de uma gaiola, como quem guarda um pássaro em casa com a sádica intenção de ouvir seu canto todas as manhãs.

Acredito ser essa a função de um mestre: Promover autonomia até que sua presença não seja mais necessária. Se ao invés de gerar outros mestres a ideia é a manutenção de discípulos, cria-se uma relação frágil e doente.

Quem depende de “mestres” a vida inteira, se assemelha aos filhos que não conseguem viver sem a tutela dos pais. A maturidade do amor faz com que reconheçamos o valor dos que nos criaram, mas também é imperativa quanto a necessidade de autonomia e movimento.

Pessoalmente desconfio de todos os que gostam de serem reconhecidos como mestres. Vejo com mais clareza a sabedoria nos mestres em gente que nem sabe que é. E há tantos deles espalhados por nossos cotidianos. Sejam os pais, os líderes de empresa, os religiosos, os políticos. A dinâmica vale para todos.

 

Os doentes e os vendedores

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O crescimento do mercado da auto-ajuda disfarçada de ciência é sintomático. Mudam as linguagens, mas o povo continua carente, em busca de qualquer paliativo que ofereça ajuda.

Em nome da “física quântica” aproveitadores vendem seus discursos motivacionais e arregimentam seguidores em todos os cantos. Livros viram best-sellers, movimenta-se acampamentos terapêuticos e os gurus se apresentam para todos os gostos.

Fora as novas fórmulas, sempre revolucionárias, que aparecem em algum pergaminho antigo ou depois de anos de “estudo quântico”, sabe-se lá a partir de quais bases.

Um povo doente vive em busca de remédios e onde há demanda, sempre aparecem os vendedores.

A pele de Julieta

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…Nenhum tema resiste incólume quando olhamos de perto. Nenhum milagre. Nenhum evento fantástico. Nem Deus. Nem o amor. Nem certeza alguma. Argumentos não resistem, teses não se sustentam como absolutas quando analisadas em detalhes. Aproxime-se do que quer que seja e verá outra coisa, outros lados, outras caras.
O medo de ver nos mantém distantes. Não queremos saber….

Os detalhes

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Uma das primeiras lições que um mágico aprende, é distrair o público para o que é irrelevante.

Ele mexe as mãos, aponta aqui e ali, jogo de luzes, de sons, fala sobre o que não tem importância e mantem as atenções fora dos detalhes.

Os olhos do público se deslumbram com o espetáculo, mas não veem onde a mágica acontece.

Os detalhes.  A plateia aplaude boquiaberta, o volume da música aumenta, as mulheres sobre o palco dançam.

Os detalhes são lugares onde os truques acontecem.

Poucos percebem os detalhes.

E os mágicos nos distraem.