Navegação

Padrão

Minha primeira memória é a partida na margem. Hoje, anos depois, ela representa o início, mas como partida pode ser começo?

Depois as primeiras ondas, ainda tão pequenas. Aprendi a navegar com o tempo enquanto reconhecia a hostilidade do mar. Hostil e maravilhoso!

Construí barcos com palavras, com ideias, com certezas que as tempestades destruíram. Foi necessário refazer a embarcação para que fosse mais flexível e suportasse o alto mar. Sigo navegando e a outra margem, não se sabe onde, aguarda meu aportar.  O oceano me fascina.

Homens das certezas

Padrão

Homens das muitas certezas, vocês ficaram pesados e pequenos demais. Ambiente sem frestas, sem horizontes, áridos.

Soberbos negam que a vida seja mistério e acorrentam-se na verdade que angustiadamente constroem. O esforço pela admiração os diminui.

Convencem o mundo apenas para convencerem-se de que jamais serão esquecidos.

Vaidosos, seduzidos por si próprios, requerem servos. Os que não seguem não servem.

Homens cheios de certezas entrincheirados nos claustrofóbicos reinos que se esforçam para construir com muitas e muitas e muitas palavras. Requerem a divindade para si.

Tristes donos da verdade, não fazem perguntas, não demonstram dúvidas, não admitem jamais que suas tantas certezas lhes aprisionaram. Acorrentados nas próprias razões, tristes e pequenos demais.

A ciência e a religião

Padrão

Quando a ciência se torna dogmática e cheia de certezas fica parecida com a religião. Quando a religião abusa de argumentos científicos unicamente racionais perde o mistério e a poesia.

Teoria Dunning-Krueger

Padrão

Já ouviu falar sobre a teoria Dunning-Krueger? Foi publicado no fim de 1999 no Journal of Personality and Social Psychology. Vou te poupar, leitor de facebook, dos dados tecnicos.
Interessa o resultado: “…é o fenômeno pelo qual indivíduos que possuem pouco conhecimento sobre um assunto acreditam saber mais que outros mais bem preparados, fazendo com que tomem decisões erradas e cheguem a resultados indevidos; é a sua incompetência que os restringe da habilidade de reconhecer os próprios erros. Estas pessoas sofrem de superioridade ilusória.

Em contrapartida, a competência real pode enfraquecer a autoconfiança e algumas pessoas muito capacitadas podem sofrer de inferioridade ilusória, achando que não são tão capacitados assim e subestimando as próprias habilidades, chegando a acreditar que outros indivíduos menos capazes também são tão ou mais capazes do que eles. A esse outro fenômeno dá-se o nome de síndrome do impostor.” Isso clareia as coisas?

O Rio do tempo e nossas dores – Rubem Alves

Padrão

Rubem Alves: “O Rio do Tempo faz todas as coisas desaparecerem.
Por isso nada é importante.
Nossas ansiedades também estão destinadas ao Rio. Também elas desaparecerão em suas águas.
O seu sofrimento se deve a isso, que você se sente importante demais, que você não presta atenção na voz do Rio.
Quando nos sentimos importantes nós ficamos grandes demais. E junto com o tamanho da nossa importância cresce também o tamanho da nossa dor.
O Rio nos torna pequenos e humildes.
Quando isso acontece a nossa dor fica menor.
Se você ficar pequeno e humilde como nós, você perceberá que somos parte de uma grande sinfonia. Cada capim, cada regato, cada nuvem, cada coruja, cada pessoa é parte de uma Harmonia Universal”