Podcast Mentes Brilhantes ep 1 : ” E se todos estiverem errados?”

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Nesse primeiro episódio os irmãos Flavio e Leonardo Siqueira questionam nossas mais enraizadas verdades. “E se tudo o que pensamos ser correto, representar uma ínfima parte do todo? E se não tivermos nenhum parâmetro para saber o que é a “verdade”?” Acompanhe Mentes Brilhantes também no Spotfy

 

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Cântico Inverso

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“Vem por aqui” — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: “vem por aqui!”
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali…
 
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
 
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos…
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: “vem por aqui!”?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí…
 
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
 
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?…
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos…
 
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios…
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios…
 
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
 
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: “vem por aqui”!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou…
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!” – (José Régio – Cântico Negro, 1926)

O olhar de cada era

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Se as palavras faltam, a gente diz como sente, como sabe, e tem sido assim em toda a história da humanidade. Criamos arquétipos baseados em nossa cultura e, com o tempo, os deuses, as crenças, as ideologias parecem virar absolutos inquestionáveis.

Depois os tempos mudam, outras pessoas, outras eras e novas palavras ilustrarão os mesmos sentimentos. Aqueles que jamais caberão nas palavras.

 

O conceito da reencarnação – Por Leonardo Siqueira

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Constantemente tenho a sensação que nos faltam palavras. Mais do que isso: Nos falta linguagem. Percebemos os fenômenos e tentamos traduzi-los conforme o que sabemos. Mas somos bichinhos que quase não sabem e as explicações ficam do nosso tamanho. Esse podcast com meu irmão Leonardo Siqueira lança outros olhares sobre um tema que pra muitos virou um sistema fechado e inquestionável: A reencarnação. Vale ouvir e , quem sabe, considerar outras possibilidades.

Navegação

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Minha primeira memória é a partida na margem. Hoje, anos depois, ela representa o início, mas como partida pode ser começo?

Depois as primeiras ondas, ainda tão pequenas. Aprendi a navegar com o tempo enquanto reconhecia a hostilidade do mar. Hostil e maravilhoso!

Construí barcos com palavras, com ideias, com certezas que as tempestades destruíram. Foi necessário refazer a embarcação para que fosse mais flexível e suportasse o alto mar. Sigo navegando e a outra margem, não se sabe onde, aguarda meu aportar.  O oceano me fascina.

Homens das certezas

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Homens das muitas certezas, vocês ficaram pesados e pequenos demais. Ambiente sem frestas, sem horizontes, áridos.

Soberbos negam que a vida seja mistério e acorrentam-se na verdade que angustiadamente constroem. O esforço pela admiração os diminui.

Convencem o mundo apenas para convencerem-se de que jamais serão esquecidos.

Vaidosos, seduzidos por si próprios, requerem servos. Os que não seguem não servem.

Homens cheios de certezas entrincheirados nos claustrofóbicos reinos que se esforçam para construir com muitas e muitas e muitas palavras. Requerem a divindade para si.

Tristes donos da verdade, não fazem perguntas, não demonstram dúvidas, não admitem jamais que suas tantas certezas lhes aprisionaram. Acorrentados nas próprias razões, tristes e pequenos demais.