Navegação

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Minha primeira memória é a partida na margem. Hoje, anos depois, ela representa o início, mas como partida pode ser começo?

Depois as primeiras ondas, ainda tão pequenas. Aprendi a navegar com o tempo enquanto reconhecia a hostilidade do mar. Hostil e maravilhoso!

Construí barcos com palavras, com ideias, com certezas que as tempestades destruíram. Foi necessário refazer a embarcação para que fosse mais flexível e suportasse o alto mar. Sigo navegando e a outra margem, não se sabe onde, aguarda meu aportar.  O oceano me fascina.

Homens das certezas

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Homens das muitas certezas, vocês ficaram pesados e pequenos demais. Ambiente sem frestas, sem horizontes, áridos.

Soberbos negam que a vida seja mistério e acorrentam-se na verdade que angustiadamente constroem. O esforço pela admiração os diminui.

Convencem o mundo apenas para convencerem-se de que jamais serão esquecidos.

Vaidosos, seduzidos por si próprios, requerem servos. Os que não seguem não servem.

Homens cheios de certezas entrincheirados nos claustrofóbicos reinos que se esforçam para construir com muitas e muitas e muitas palavras. Requerem a divindade para si.

Tristes donos da verdade, não fazem perguntas, não demonstram dúvidas, não admitem jamais que suas tantas certezas lhes aprisionaram. Acorrentados nas próprias razões, tristes e pequenos demais.