Olhos de pai

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Um dia eu disse ao Flavinho que, desde cedo, sempre que eu via alguém na idade dele, sentia como se fosse um pouco meu filho.
Era fácil quando ele tinha três, quatro anos, mas pensava que com o tempo as coisas mudariam.
Não mudaram.
Hoje vejo adolescentes aos dezesseis e até um pouco mais velhos como filhos.Não só eles, mas é como se eu fosse uma espécie de pai em potencial de todos os que passaram pela idade que ele passou.
“É provável que chegue um dia em que você tenha a idade que tenho hoje e eu, velhinho, verei todos os quarentões como filhos”. – comentei com ele.
“Talvez seja por isso que os velhos costumam chamar todos por “meu filho””.
Sim, talvez seja isso!
Ser pai de todos, aceitar e tratar todos como se fossem filhos, viver com olhos de pai.
Desconfio que nenhuma experiência seja mais próxima de entender Deus do que essa.