Pós verdades

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De que valem os fatos?

A sociedade parece se organizar em torno das narrativas. Substituímos o rigor pelo show modelado conforme a expectativa do público que reclama ferozmente a própria verdade.

Consumimos informação, entretenimento, ideologia e conspiração sem a menor distinção entre uma coisa e outra, todas sedimentadas pelo medo e pela raiva.

Medo e raiva como liga de nossas ideias.

As narrativas criam mitos e os mitos fomentam deuses e demônios a serem amados ou combatidos. Vivemos em guerra permanente. Devotos. Divididos. Fracos.

Se por um lado a tecnologia facilita a proliferação de informações, por outro os algoritmos tratam de transformá-las em bolhas com cara de verdade absoluta.

Coletamos muitos dados, mas estamos perdendo a capacidade de processá-los.

De que valem os fatos? O que é a verdade? De que serve a história? Que valia tem o pensamento fora das massas?

Ganha quem consegue contar a estória que melhor se encaixe enquanto outra não a substitua.

 

 

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Desprender-se

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Cansei de verdades. São pesadas demais.

Prefiro a leveza dos que não sabem. O movimento. A alegria de descobrir.

Falar menos. Sentir mais.

Reconhecer-se folha ao vento.

Voar, desprender-se e pousar em qualquer lugar.

 

Mistura de ignorância e poder

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“Uma mistura de ignorância e poder que mais cedo ou mais tarde explodirá na nossa cara”. O ceticismo tem se tornado um antídoto necessário em tempos de pós verdade. Queremos crer, temos medo da dúvida. Nesse vídeo curto o cientista Carl Sagan já previa “se não formos capazes de questionar ceticamente o que alguém nos diz ser a verdade, capazes de ser céticos em relação aqueles em posição de autoridade, então estaremos disponíveis ao próximo charlatão político ou religioso que aparecer.” – Pois é…

Manhã com Millôr

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Passei parte da manhã de hoje com o Millôr Fernandes. Entre outros assuntos, ele falava sobre sua desconfiança com a televisão, a naturalidade do humor, a degeneração do jornalismo.

Papo inteligente em uma roda vida lá de 1989. Comentou sobre a equipe do saudoso Pasquim de uma forma maravilhosa: “Reunimos um time tão especial que jamais seria reunido se a motivação pelo trabalho fosse o dinheiro.”

De vez em quando é necessário ouvir vozes de outros tempos. Gente forjada na dureza, criativos por terem que colocar a mão na massa e, por isso mesmo, sem medo de ter opinião. Certos ou errados, eram capazes de alimentar ideias próprias.

Em tempos onde só se pode falar o “certo”, e o “certo” sempre está ligado ao que meu grupo acredita, ouvir Millor me arejou e me encheu de saudade de uma época que mal vivi.

Vou seguir pelo resto do dia com a boa sensação que só pessoas inteligentes são capazes de provocar.

 

 

 

Tempos de adesão

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Controla-se a linguagem, aprisionam-se as mentes, diminuindo-as, diminuindo-as, diminuindo-as, até que o pensamento livre seja uma afronta. Em tempos histéricos, pensar representa a pior heresia e os hereges devem ser punidos pelas santas inquisições das redes sociais. Não há espaço para contestações de nenhuma natureza: espera-se adesão. Cega, voluntária, subserviente.