Mistura de ignorância e poder

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“Uma mistura de ignorância e poder que mais cedo ou mais tarde explodirá na nossa cara”. O ceticismo tem se tornado um antídoto necessário em tempos de pós verdade. Queremos crer, temos medo da dúvida. Nesse vídeo curto o cientista Carl Sagan já previa “se não formos capazes de questionar ceticamente o que alguém nos diz ser a verdade, capazes de ser céticos em relação aqueles em posição de autoridade, então estaremos disponíveis ao próximo charlatão político ou religioso que aparecer.” – Pois é…

Manhã com Millôr

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Passei parte da manhã de hoje com o Millôr Fernandes. Entre outros assuntos, ele falava sobre sua desconfiança com a televisão, a naturalidade do humor, a degeneração do jornalismo.

Papo inteligente em uma roda vida lá de 1989. Comentou sobre a equipe do saudoso Pasquim de uma forma maravilhosa: “Reunimos um time tão especial que jamais seria reunido se a motivação pelo trabalho fosse o dinheiro.”

De vez em quando é necessário ouvir vozes de outros tempos. Gente forjada na dureza, criativos por terem que colocar a mão na massa e, por isso mesmo, sem medo de ter opinião. Certos ou errados, eram capazes de alimentar ideias próprias.

Em tempos onde só se pode falar o “certo”, e o “certo” sempre está ligado ao que meu grupo acredita, ouvir Millor me arejou e me encheu de saudade de uma época que mal vivi.

Vou seguir pelo resto do dia com a boa sensação que só pessoas inteligentes são capazes de provocar.

 

 

 

Tempos de adesão

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Controla-se a linguagem, aprisionam-se as mentes, diminuindo-as, diminuindo-as, diminuindo-as, até que o pensamento livre seja uma afronta. Em tempos histéricos, pensar representa a pior heresia e os hereges devem ser punidos pelas santas inquisições das redes sociais. Não há espaço para contestações de nenhuma natureza: espera-se adesão. Cega, voluntária, subserviente.

Pra onde foi o menino da foto?

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Eu vejo o menino na foto e penso pra onde ele foi.
Está no mesmo lugar que o homem escrevendo acabou de ir. Às vezes ouço a vozinha dele.
Minha mãe, tão mais jovem na imagem, ainda é.
Ninguém deixou de existir. Nunca.
A vida é um eterno movimento pra dentro.
Na linha do tempo expressões históricas de quem temos sido naquele instante, mas o movimento do tempo sempre nos desloca, deixamos de ser pra fora (morte) e nos eternizamos pra dentro, onde o tempo é uma coisa só(vida). Os cenários ainda existem.
Todos que fomos, os que interagimos, as experiências que vivemos, dissolvidos no tempo e redirecionados para dentro, para aquilo que chamo de eu: A capsula em movimento carregando em tudo o que sou, todos que um dia fui.