Pensar será obsoleto

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Em nome de causas reais, mobiliza-se um exercito de “fiscais” histéricos sempre que julgam que alguém ultrapassou seus virtuosos limites.

Rotula-se por um comentário, uma piada, uma expressão (geralmente de mal gosto) legitimando a execução de penas que podem variar entre a execração pública, ou o limbo de quem pode viver na sociedade, mas sem direito a emprego ou respeito. Foram condenados.

Por trás da histeria, temas justos legitimam movimentos políticos e ideológicos que se autoproclamam detentores da verdade e, por isso mesmo, juízes de causas que originalmente não lhes pertence.

Criam um próprio discurso, uma estética, uma linguagem que os caracterize como tribo, priorizam pautas que escondem reais interesses e, em nome da virtude, arregimentam soldados.

Se alguém contesta os movimentos, suas penas, ou representantes, automaticamente é acusado de ser contra as causas. Em um mundo onde a imagem e a reputação são essenciais, raros ousam contestá-los. É mais uma ferramenta de controle.

Chegará o tempo em que pensar será obsoleto.

Produza mais e pense menos

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Estamos criando uma tecnologia maravilhosa por um lado e emburrecedora por outro, especialmente porque a tecnologia e a linguagem , sobretudo, tem sido ferramentas desenvolvidas para o controle. Aceitamos passivamente o conteúdo digital enquanto desaprendemos a pesquisar, questionar e duvidar.
 
Lemos mais Gifs e menos livros. Mais memes e quase nada de poesia. Muitos bordões, pouquíssima lucidez. Na rede brigamos, combatemos, elegemos heróis e inimigos de causas que nem sabemos direito quais são.
 
Aceitamos a substituição das palavras por apressados bordões até que sejamos uma massa tão homogênea que qualquer “deformidade” logo será percebida e excluída.
 
Enquanto isso os “filósofos da autoajuda” seguem no discurso de formatação, para que você “produza mais e pense menos”.

Até que eu me cale

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Trocamos de carro e arrumamos outra mulher, outro marido, outra vida. Mudamos de religião, deixamos tudo de lado e nos transformamos em seres “zen”. Mudamos nossa linguagem, nossos padrões, nosso trabalho e as mudanças nos agradam por um tempo.
Ajudam a estampar um sorriso novo, um olhar esperançoso que adiante será substituído pelo cansaço não confessado, pelas dores latentes que recusamos a admitir.
Empurramos para baixo do tapete e continuamos com nossas dores, silenciosos, em nossa eterna busca até que cesse.
Estava em nós. Tudo dentro. Nossa busca por Deus, por felicidade, por trabalho, por dinheiro, por justiça, por amores… Nossas buscas, todas por nós mesmos, perdidos, fragmentados em uma vida fragmentada.
Damos nomes às coisas de fora, mas dentro da gente elas vivem sem nome, todas eu, todas em mim, silenciosamente angustiadas até serem encontradas. Até que eu me cale.

Navegar pela vida

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A vida é linda e selvagem.

Como o oceano que atrai e pode nos tragar se negligenciado. Para atravessá-lo é preciso a proteção dos barcos, maiores ou menores, dependendo de nosso conhecimento. Nenhum barco garantirá que chegaremos a outra margem, mas há os que resistem.

Em nossa trajetória pela vida construiremos barcos com palavras, ideias, afetos, ciência, crenças que nos fazem sentir mais ou menos seguros. Navegaremos e a vida seguirá indiferente, como o oceano.

Assustadoramente linda e absolutamente selvagem.

Palavra de ouvinte!

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Imagine uma rádio que tem harmonia, mas não necessariamente siga uma lógica na programação: J Sebastian Bach e Foo Fighters, Pixinguinha e Ed Sheeran, Haydn e Ira!. Uma rádio que não tenha comercial, mas compartilhe literatura e provocação com pequenos textos de Saramago, Einstein, Fernando Pessoa, Carl Sagan, Nietzchie, Rubem Alves, George Orwell e muito mais. Que esteja 24h no ar, acessível em qualquer parte do mundo, online. Então pare de imaginar e traga a rádio Inverso pro seu dia a dia. Eu, o ouvinte mais assíduo, garanto. 😉 – radioinverso.com

POD 7 – Nascemos pra ser rebanho?

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Raquel de Queiroz escreveu certa vez que somos como carneiros, nascemos para seguir docilmente qualquer ordem que nos leve a vitória, mesmo que no fim o desfecho seja a morte. Por que somos assim? De onde vem a necessidade de pertencimento? Somos fadados a vivermos em busca de uma causa que justifique nosso rebanho?

Não cabemos

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O que mora na gente é sem palavras.
Cada memória alojada em algum lugar que não sabemos existir. De vez em quando se movimenta e provoca variação de luzes e sombras.
Usamos as palavras na tentativa de criar representações simbólicas, imagens que projetem para o lado de fora aquilo que do lado de dentro não tem formas, nem dimensões.
O que nos habita não cabe em frases, ou pensamentos, ou nenhum tipo de organização intelectual. Cada humano abriga um universo de experiências silenciosas e responde à elas em quase tudo o que faz.
Talvez por isso a constante sensação de que não cabemos em lugar nenhum.