Contrações

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Nascemos e na sequência entramos em contrações.
Não as contrações das mães, mas as nossas que não cessam. Contrações de parto no mundo que muda, a mente que expande, em profundas e constantes modificações de perspectivas.
Estamos sempre em contrações.
Sempre tentando ver luz na fresta, nascer e saber, afinal, o que é o mundo e o que somos nós no mundo.
Penso que felicidade é uma deliberação e tem a ver com isso. Contrações de dor, abrir mão do conforto do útero, entregar-se ao movimento que nos traz à luz, que nos ajuda a nascer.

Emigrantes que ainda não fundaram a sua pátria – 1939 (Saint Exupery)

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“Que são os cem anos da história da máquina em face dos duzentos mil anos da história do homem? Ainda nem acabamos de nos instalar nesta paisagem de minas e de centrais elétricas. Ainda nem nos sentimos moradores desta casa nova que nem sequer acabamos de construir.

Tudo mudou tão depressa em volta de nós; relações humanas, condições de trabalho, costumes… Até mesmo a nossa psicologia foi subvertida em suas bases mais íntimas. As noções de separação, ausência, distância, regresso, são realidades diferentes no seio de palavras que permaneceram as mesmas.

Para apreender o mundo de hoje usamos uma linguagem que foi feita para o mundo de ontem.

E a vida do passado parece corresponder melhor à nossa natureza apenas porque corresponde melhor à nossa linguagem.

Cada progresso nos expulsou para um pouco mais longe ainda de hábitos que mal havíamos adquirido; na verdade somos emigrantes que ainda não fundaram a sua pátria”.

(Texto de Terra dos Homens – Saint Exupery – 1939)

Totalitário

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Todo processo totalitário trabalha pelo esvaziamento da linguagem. Reduzem o vocabulário, os códigos, as expressões em palavras de ordem, adjetivos e maniqueísmo. Não há cinza, nem degrade, é tudo branco ou preto, certo ou errado, bem ou mal.