Tempos histéricos

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Tempos histéricos. Polarizados. Gente apaixonada crendo na guerra do bem contra o mal. Buscam heróis que não admitem contestação e os defendem com toda a força de suas angústias. O manipulado é o outro. Sempre.

Onde está a lucidez? A semente da raiva cultivada amadurece em disfarces patrióticos, no vermelho ou no verde amarelo. Confusão disseminada em nome de justas causas. Medo, muito medo.

Controla-se a linguagem, aprisionam-se as mentes, diminuindo-as, diminuindo-as, diminuindo-as, até que o pensamento livre seja uma afronta. Em tempos histéricos, pensar representa a pior heresia e os hereges devem ser punidos pelas santas inquisições das redes sociais. Não há espaço para contestações de nenhuma natureza: espera-se adesão. Cega, voluntária, subserviente.

Manipula-se criando inimigos. Manipula-se criando heróis. Arregimentam devotos e os fazem lutar em nome da verdade dos próprios algozes. Ovelhas apaixonadas por lobos até que sejam devoradas.

Massas nutridas por hashtags brigando entre si, compondo cenários que serão aproveitados cinicamente no próximo programa eleitoral, onde a demagogia e o sofrimento convivem tão bem.

Distraídos. Devotos de perversos padroeiros que no fim se juntarão para dividir o espólio.

Não há remorsos.

Eles sabem que povo continuará, como sempre, esperando o surgimento dos próximos heróis. E eles sempre aparecem.

Tempos histéricos. Onde está a lucidez?

 

 

Linguagem da lucidez

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Quando todos falam ao mesmo tempo e a maioria pensa que é portadora de uma grande mensagem, é melhor calar um pouco. Entre as muitas vozes, qualquer som vira ruído. O que quer ser ouvido grita e o grito ensurdece.

Entre surdos gritando o silêncio é a linguagem da lucidez.

Os processos do tempo

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Tudo é semente. Um pensamento, uma escolha, um sentimento, um objeto visto, uma pessoa que passa e modifica alguma coisa.
O tempo é condutor desses movimentos e o corpo, exposto ao tempo, encuba a serenidade que substituirá a avidez, a paz no lugar da pressa, a sabedoria no lugar da ignorância. Quando a maturidade vier, perceberemos quantas etapas foram ultrapassadas. Nada deixa de existir, apenas se modifica, apenas se expõe aos inexoráveis processos do tempo. Sempre.

A humanidade em cada indivíduo

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A história da humanidade é a história de cada humano. Estamos construindo a narrativa que, provavelmente, jamais estará em qualquer livro, mas se processa no cotidiano de cada escolha, em cada indivíduo.

É a somatória desses movimentos que constrói algo muito maior, capturado apenas em ínfimas partes por lentes que adiante reconhecermos como “história”.

Cada humano é um pedaço da história e, cada ponto de vista, um componente desse complexo movimento.