A pele de Julieta

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…Nenhum tema resiste incólume quando olhamos de perto. Nenhum milagre. Nenhum evento fantástico. Nem Deus. Nem o amor. Nem certeza alguma. Argumentos não resistem, teses não se sustentam como absolutas quando analisadas em detalhes. Aproxime-se do que quer que seja e verá outra coisa, outros lados, outras caras.
O medo de ver nos mantém distantes. Não queremos saber….

Os detalhes

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Uma das primeiras lições que um mágico aprende, é distrair o público para o que é irrelevante.

Ele mexe as mãos, aponta aqui e ali, jogo de luzes, de sons, fala sobre o que não tem importância e mantem as atenções fora dos detalhes.

Os olhos do público se deslumbram com o espetáculo, mas não veem onde a mágica acontece.

Os detalhes.  A plateia aplaude boquiaberta, o volume da música aumenta, as mulheres sobre o palco dançam.

Os detalhes são lugares onde os truques acontecem.

Poucos percebem os detalhes.

E os mágicos nos distraem.

 

 

Não cabemos

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O que mora na gente, é sem palavras. Cada memória alojada em algum lugar que não sabemos existir. De vez em quando, se movimenta e provoca variação de luz em sombras.

Usamos as palavras na tentativa de criar representações simbólicas, imagens que projetem para o lado de fora, aquilo que do lado de dentro não tem formas, nem dimensões.

O que nos habita não cabe em frases, ou pensamentos, ou nenhum tipo de organização literal. Cada humano abriga um universo de experiências silenciosas e responde à elas em quase tudo o que faz.

Talvez por isso a constante sensação de que não cabemos em lugar nenhum.