O tempo do outro

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Talvez um dos grandes desafios atuais seja respeitarmos o tempo do outro. A tecnologia trouxe benefícios e deixou tudo muito acessível. Mas sempre há dois lados (no mínimo) e a acessibilidade virou invasão.

Temos dificuldades em aceitarmos o “offline”, a resposta demorada, o silêncio virtual. Tudo parece urgente, mesmo o que não tem a menor importância.

 

 

Jaulas perpétuas

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Ainda sobre o politicamente correto, alguém me disse:

“Você não conhece a dor de uma mulher negra, pobre, moradora de periferia. Não sabe o quanto ela precisa de alguém que fale por ela e dê voz às suas causas. O politicamente correto supre essa necessidade.”

Reconheço. Não tenho ideia das dores de uma mulher negra e pobre que sofre discriminação. Nem as dores de um gay, sempre diminuído, muitas vezes tendo que se esconder da família ou colegas de trabalho.

Não são minhas dores, jamais as questionarei.

Minha crítica é a apropriação das dores. Ao invés de ajuda real, cria-se um exercito de necessitados lutando por gente que se alimenta das mazelas e as usa para causas de poder pessoal.

Pode servir por algum tempo, mas depois se transforma em jaula perpétua onde somente a adesão serve.

Faltam portas, janelas, horizontes; falta ar.

Não se promove consciência, porque, conscientes, caminhariam e seguiriam seus próprios rumos. Seriam livres e deixariam de ser alimento.