Virtudes e defeitos podem ter a mesma raiz?

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É bom reconhecer meus defeitos e questioná-los, mas prefiro fazer isso com minhas virtudes.

Reconhecer defeitos me enobrece, demonstra humildade, mas quem é capaz de enxergar as virtudes com imparcialidade e perceber que virtudes e defeitos podem ter a mesma raiz e serem expressões aparentemente antagônicas nutridas pela mesma fonte?

São linguagens diferentes alimentadas pelas mesmas influências.

Talvez meus defeitos não sejam só “maus”. É possível que parte deles expressem dimensões que, em mim, não existem sobre o rótulo de serem boas ou más e, por não serem vistas, se expressam de um jeito que não gosto. Elas gritam.

Talvez minhas virtudes não sejam tão “puras”. É possível que, nutridas pela mesma raiz dos “defeitos”, sejam disfarçadas expressões de vaidades e inseguranças. Faço o “bem” porque serei reconhecido. Sou “generoso” e alimentarei meu ego carente.

Assusta reconhecer que grande parte do que gosto em mim pode ter o mesmo ponto de partida do que me desagrada e eu não quero ver.

Passado o susto sou capaz de me enxergar de maneira mais completa. Sem dicotomias ou maniqueísmos. Em paz com o que sou e estou me transformando todos os dias.

 

 

As leis e a consciência: Com qual consciência você é o que é?

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As leis podem ser guias condutoras entre a imaturidade e a consciência, mas não podem ser imobilizadoras. Se as leis tem como objetivo apenas o controle, manterá o indivíduo (ou a sociedade) preso na infantilidade, sempre em dúvidas sobre o que é “certo” ou “errado”.

O certo ou errado, sob a perspectiva das leis, está sujeito a cultura, ao tempo, a geografia, as experiências de quem as define. Isso vale para um país ou para uma família. As perspectivas alteram e as leis são redefinidas.

Leis são necessárias para ajudar na intermediação das relações e devem ser promotoras de autonomia até que o indivíduo desenvolva consciência. Quanto mais consciência, menos necessidade de leis.

É como uma criança que precisa dos pais para dizer o que pode ou não pode, o que é certo ou errado, até que ela própria amadureça e aprenda a tomar decisões sozinha.

Os pais, o estado, a igreja e todos os que se colocam na condição de “legisladores” deveriam manter essa consciência: As leis que estabeleço geram maturidade ou criam dependência?

A dependência facilita o controle e bloqueia o desenvolvimento.

Quanto mais uma sociedade (ou um indivíduo) evolui, menos necessário tutorá-los.

Discussões sobre o “certo” ou “errado” diminuiriam e a pergunta passaria a ser “com qual consciência você é o que é?”

Se o estabelecimento de leis (seja em qual âmbito for) priorizar a consciência ao invés do controle, com o tempo, seriam menos necessárias. Estaríamos suficiente maduros para fazermos nossas próprias escolhas.

Se estamos longe de uma condição semelhante no macro, melhor será se começarmos no micro, individualmente, substituindo a pergunta “isso é certo ou errado?” por “qual consciência me move a fazer o que faço?”.

Parece simples, e é, mas pode ser o início de uma revolução.