Por causa do outro – Duas Vidas

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“”É mais ou menos assim, você sabe que sempre tem alguém de olho esperando que faça isso, responda aquilo, escolha de um jeito ou faça de outro. Mesmo que não perceba, no fundo, tudo o que fazemos é para responder aos outros, mesmo que a escolha seja contrariar. Já até vi uns caras que não ligam muito pra isso, mas a grande maioria se importa. Acabam se sentindo pressionados, frustrados por sentir que muitas vezes não agradam e passam a vida inteira tentando arrumar um jeito de consertar as coisas. ”
“Esse é você? ”
Treze pensa alguns segundos antes de responder. “Esse somos todos nós, colega. A diferença é que com o tempo alguns vão relaxando e aprendem a administrar esse sentimento enquanto outros ficam cada vez mais frustrados, até que resolvam chutar o balde e criar suas próprias regras. Mas seja aquele que se rebela ou se acomoda, quase sempre acabam agindo por causa do outro.” – Livro Duas Vidas

Woman Surrounded by a Crowd of People Wearing Masks

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Invisível – Duas Vidas

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“Substituímos as pessoas com certa facilidade, sejam os amigos, os cônjuges ou os pais. Às vezes com certa dose de sofrimento, outras sem nenhum incomodo, o fato é que, se formos honestos reconheceremos que optamos por nos relacionar com símbolos, não com pessoas, porque os símbolos nos servem, fortalecem nosso ego, nos projetam, enquanto o humano nos relativiza e, pelas semelhanças, expõe nossas fraquezas.

Por isso ninguém mais me vê. Deixei de ser a imagem da força e um símbolo de poder. O Tales morreu e no lugar nasceu esse homem que perambula pelas ruas, sem rosto, sem história, sem razão alguma para ser notado. Por que me veriam? “- Livro Duas Vidas

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Doutor Cardoso – Duas Vidas

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“A calmaria daquela tarde foi subtraída por entusiasmados gritos de “vivas” e “apoiado” atrás do senhor com voz gutural, obeso, suando das axilas ao implante capilar de onde gotas escorriam até o pescoço enterrado no tronco.
Doutor Cardoso sorria com dificuldade, dentes amarelados, irregulares como tudo o que ele fazia. Semanalmente os jornais locais estampavam denúncias sobre desvios de verbas públicas, participação em esquemas que burlavam licitações, propinas e outras atividades que pareciam corriqueiras na ficha daquele senhor com visível dificuldade em manter o braço estendido enquanto acenava com a mão proporcionalmente gorda.
Não havia nenhuma indignação popular. Todos sabiam do caráter daquele homem, mas importavam as promessas, mais do que isso, os presentes que antecediam as eleições…” – Livro Duas Vidas

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Eu e o outro – Livro Duas Vidas

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“Convivendo com as dores do outro, fui obrigado a enxergá-los como são e isso fez com que naturalmente me identificasse com suas fraquezas. Antes eu competia para provar quem tinha mais força, agora simplesmente me conecto a partir da dor. Lentamente comecei a perceber que quanto mais consciente da minha realidade, mais desconfortável em julgar quem quer que seja. Olhar para as próprias contradições aumentava minha tolerância com as contradições alheias.” – Livro Duas Vidas

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