Amor hostil

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O amor que nasce do não, rasteiro, cresce do chão, grosseiro, em um canto qualquer.
Erva daninha que não foi arrancada, ninguém prestou atenção enquanto, selvagem, aconteceu.
Amor com cara de mau, sem relevância, nenhuma exuberância, nem odor, nem calor, nem substância alguma que sinalizasse absolutamente nada. 
Amor em estágio bruto, amalgama em ebulição com certa dose de hostilidade, formando-se, lentamente, sutilmente, subversivamente em relação ao bom senso modelado por medos.
Quando percebido o amor não foi amado. Amados, os que  adulam, que legitimam o que não somos e nós, que atrofiamos nos exageros, não amamos o amor. O amor não foi amado e nós encolhemos.
O amor, sufocado em nossas paixões, deixou de ser cuidado e mirrado se foi. Calou-se, o amor.
Silêncio. Vasculhamos os sorrisos, elevamos as vozes, os cantos, as juras de fidelidade, os pactos de eternidade, as dores que arregimentamos em nosso favor, vozes, muitas vozes, muitos ruídos, muito barulho.
Silêncio. Calou-se o amor.
Quieto, o amor que nasce do não, rasteiro, cresce do chão, grosseiro, em um canto qualquer. O amor, que não foi amado.