Entrelinhas

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Entre todos que sou, os tolos e gênios, entre as luzes e sombras nos passos que dou, há entrelinhas.
São nelas que existo.
Nos pólos não sou, só passo e vou.
Vou e voltamos.
Eu e todos que carrego em mim. São tantos.
O anônimo, peça do cenário frenético. O menino na lembrança de alguém, uma imagem diluída por memórias confusas, o benfeitor, o solidário, o egoísta, o mentiroso, o virtuoso, o idoso que ainda não é, mas sou.
Sou entrelinhas.
Sou intenção.
Sou o que existe entre um instante e outro, entre a vida e a morte, nuances que os olhos apressados não captam, são míopes, preferem os extremos, jamais me verão.
Os extremos onde me colocam, não fico, não sou
Sou o que ainda não disse, a extensão do silêncio, as reticências entre linhas…
Há entrelinhas e são nelas que existo. Entrelinhas, onde sou.
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Se eu fosse eu

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Se você fosse você, se não vestisse essas roupas que veste, nem dissesse as coisas que diz, se não se preocupasse com o que os outros vão pensar e simplesmente resolvesse viver sem medos, sem travas, sem culpas, se realmente fosse você, quem seria?

“Guerra é paz, liberdade é escravidão, ignorância é força” – A guerra anti terror

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Cada vez mais a tal “guerra anti terror” será a maior promotora de medo na humanidade e penso que daqui para frente o argumento mais contundente para que o Estado assuma o papel de soberano controlador da vida de todos.
Estamos vivendo tempos muito semelhantes aos profetizados por George Orwell que descreveu no livro “1984” cenários ambivalentes de medo e controle.
Como na obra, temos nossas Eurásias e Letásias, nossos “três minutos de ódio”, nossos “grandes irmãos” prontos a nos salvar com suas “teletelas” cada vez mais presentes e aceitas em nome da nossa segurança..
Nossa esperança por salvação associada com medo que se projeta em um povo e suas crenças dá respaldo para que governos mexam em leis que beneficiam a si próprios, além dos bancos e da industria armamentista. Enquanto isso o terrorismo continuará como legitimador de todo esse perverso processo.
Depois dos atentados contra as torres gêmeas em NY, entre tantas medidas, houve o “Patriotic Act”, uma lei que reduziu inúmeras liberdades e permitiu a escuta indiscriminada das comunicações. O mundo levou um susto quando Edward Snowden revelou quem de fato era alvo desses monitoramentos que por sinal continuam.
É triste perceber que pouca gente nota os movimentos de uma guerra midiática onde o medo é reforçado o tempo inteiro e a face de um inimigo a ser combatido, eliminado de preferencia, os mesmos que aparecem como vilões nos filmes de Hollywood, são fixados na mente de gente cada vez mais amedrontada, raivosa, querendo sangue, querendo proteção, querendo vingança.
Afinal de contas, que tipo de efeito colateral o terror representa? Quem o financia? Como pensar que super potências de guerra vivem a mercê de rompantes de grupos extremistas escondidos no deserto?
O que estamos vivendo não é uma guerra religiosa, mas uma guerra de interesses.
De um lado os que lucram e mexem nas leis. Do outro homens e mulheres assustados diante dos noticiários televisivos, acreditando que o inimigo é o fundamentalista religioso.
É a velha guerra do bem contra o mal, como sempre “nós” somos o bem, “eles” o mal, se impondo em tempos de informação difusa, de mentes confusas, de humanos colonizando humanos em nome do medo.
Parece que o lema promovido pelo regime autoritário de Oceania, no livro de George Orwell, tem se tornado cada vez mais atual: “Guerra é paz, liberdade é escravidão, ignorância é força”. Infelizmente.

Sua versão

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Você só conhece uma versão. Olha por uma única fresta e pensa que viu tudo. Sente-se seguro por acreditar que sabe. Pensar que sabe lhe deixa seguro.
A ciência pensa que sabe, a filosofia imagina ter chegado à algum lugar, a teologia orgulha-se sem saber que não sabe.
Nada é exatamente como percebemos. A vida está em movimento, toda perspectiva fixa é reducionista.
Você só vê pela fechadura, não sabe quase nada, portanto seja humilde. Esse é o primeiro e mais básico sinal de sabedoria. Ainda há muito para aprender. Felizmente. 

A verdade dos homens

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Gravei e publiquei esse texto do Saint Exupéry há pouco mais de um mês. Ele é do livro “Terra dos homens” de 1939. Mas hoje, por alguma razão, essas palavras não saem da minha cabeça….

“Para compreender o homem e suas necessidades. Para conhecê-lo no que tem de essencial, não é preciso opor umas as outras, as evidências de vossas verdades. Sim, tendes razão, a lógica demonstra tudo. Tem razão mesmo aqueles que lançam as desgraças do mundo sobre os “corcundas”. É preciso, para distinguir o essencial, esquecer por um momento as divisões que uma vez admitidas arrastam um alcorão de verdades e o fanatismo consequente… Mas a verdade, vós o sabeis, é o que simplifica o mundo e não o que gera caos. A verdade é a linguagem que exprime o universal.”