A verdade dos homens

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Gravei e publiquei esse texto do Saint Exupéry há pouco mais de um mês. Ele é do livro “Terra dos homens” de 1939. Mas hoje, por alguma razão, essas palavras não saem da minha cabeça….

“Para compreender o homem e suas necessidades. Para conhecê-lo no que tem de essencial, não é preciso opor umas as outras, as evidências de vossas verdades. Sim, tendes razão, a lógica demonstra tudo. Tem razão mesmo aqueles que lançam as desgraças do mundo sobre os “corcundas”. É preciso, para distinguir o essencial, esquecer por um momento as divisões que uma vez admitidas arrastam um alcorão de verdades e o fanatismo consequente… Mas a verdade, vós o sabeis, é o que simplifica o mundo e não o que gera caos. A verdade é a linguagem que exprime o universal.”

Defesa do Islamismo? Para tentar encerrar esse assunto

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O Octávio me escreveu com um comentário e vários links, mas por alguma razão o FB dele não permite respostas. Respondo para ele. Respondo para outros que estão me escrevendo. Respondo para todos. Não quero mais ficar nesse tema. Espero com isso, pelo menos por enquanto, encerrar esses debates que não levam a nada.
“Acompanho o seu trabalho desde 2012 , gosto muito de suas reflexões, mas acredito que vc tenha cometido um equívoco ao defender os muçulmanos.”
Otávio, não defendo os muçulmanos. Defendo os humanos. Defendo que não rotulemos quem quer que seja por conta de seus credos. Nem os muçulmanos, nem os cristãos, nem os ateus, nem eu, nem você. A história já nos dá demonstrações suficientes para entendermos onde isso leva.
Vivemos em um mundo movido, muito mais por interesses, do que por paixões, portanto não se trata especificamente de crenças. Essa guerra, que achamos que é guerra de crenças, acredite, é guerra comercial e movida por interesses que sequer supomos.
Sem dúvidas há incitações de ódio entre os muçulmanos. Há também entre cristãos, há entre judeus, há em toda parte porque os humanos precisam se legitimarem em alguma coisa. Seja na religião, seja no preconceito. Estamos sempre a caça de inimigos. Sempre!
Se o Alcorão é usado para maldades, o que dizer da enxovalhada sobre os gays em nome da Bíblia?
A maldade é uma característica humana, não necessariamente atrelada a uma religião e é sobre isso que tenho falado. As religiões, as filosofias, as ideologias, geralmente exacerbam o que somos, para o bem ou para o mal.
Os atentados em Paris são abomináveis, mas nossa pressa em simplificar a culpa fomentando jihads não é muito melhor. Matamos o próximo por conta de nosso preconceito, nossos medos e nossa ignorância.
Sempre foi assim na história e continuará sendo, infelizmente. Não concordo com um monte de coisas no islamismo, jamais defenderia os dogmas que pregam, nem eles, nem nenhuma outra religião, mas enquanto nossa discussão se reduzir a esse olhar maniqueísta, legitimaremos as guerras, embasaremos assassinos, fomentaremos o ódio. E faremos tudo isso acreditando que nossa causa é justa.Estou triste por tudo isso.