Tudo o que você já sabe

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Sei que você sabe muitas coisas. Sabe que bem e mal moram dentro da gente, que os acontecimentos não carregam nada que não seja projeção do nosso olhar. Já escrevi muito sobre isso.

Provavelmente você já leu muitos textos meus – e de outros – falando sobre o agora, o dia chamado hoje, o passado miragem, futuro ilusão e sobre a necessidade de despertarmos, enxergarmos no cotidiano, no simples, na vida, hoje, agora, as respostas que tantas vezes projetamos lá longe, distante, inacessíveis, inalcançáveis.

Eu quase apostaria que não será nenhuma novidade, nada novo, nada inédito para você, se me ouvir falar sobre nossa tendência para autossabotagem,  nossa dificuldade em aceitar que geralmente aquilo que mais tememos, aquilo que nos amedronta e desgasta, é só uma ameaça, um ruído que não existiria se desistíssemos de acreditar em todas as fantasias sopradas por nossas mentes impressionadas, apequenadas, restritas no tempo e espaço.

Não sou o primeiro, o único, nem o último a dizer que o mundo lá fora reflete o mundo aqui dentro, que nossos corpos são fronteiras entre as paisagens impermanentes e as atemporais, entre projeções e significados, entre o que parece e o que é.

Quando estamos em paz, a paz se projeta como realidade, cala ruídos, reverte tragédias. Você sabe muitas coisas, nenhuma dessas é novidade, sei disso.  Mas também sei que as vezes a gente se esquece, que, de vez em quando, só vemos o que incomoda, que há momentos que o dia parece ter virado “dia mau”. Quando é assim, não custa lembrar, ainda que, repetitivo, escreva de novo só para reforçar, cessar a angustia e dizer mais uma vez tudo aquilo que sei que você já sabe.