Unanimidades?

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Agora há pouco li que a família de um cantor sertanejo falecido recentemente está processando um jornalista por terem discordado da opinião dele. Não é questão da opinião estar certa ou errada. Não tem a ver com discordar ou concordar, muito menos discutir até que ponto uma “pessoa pública” faz um comentário feliz ou infeliz, por isso não trato aqui sobre a opinião objetivamente.
Falo sobre um sentimento esquisito, que combina o “politicamente correto” e a falta de habilidade em compreender o que vai além do óbvio, que não seja maniqueísta, que não seja polarizador. Vou desconsiderar o oportunismo de quem lucra com essa combinação.
Sinto que estamos gerando uma sociedade empobrecida em suas expressões, enquanto se manipula com medo, censura opiniões que não sejam legitimadas pelas “massas” e os aplausos subsequentes. Isso se projeta no trato, no voto, na fé, no jeito de interpretar a vida.
Parece que estamos reduzindo a arte, encapsulando o humor, confinando a política em slogans, cerceando a liberdade de que cada um diga o que pensa, seja o que é.
Estranho constatar que, em tempos de redes sociais e tecnologias que facilitam a comunicação, as opiniões estão cada vez mais pobres, os discursos vazios, os olhares difusos, confusos, sendo quase sempre direcionados aos tais “dois minutos de ódio” projetados no próximo alvo. Qual será a próxima declaração ultrajante? Quem me ofenderá amanhã?
Na sociedade descrita por George Orwell no livro 1984 um dos recursos da “Polícia do Pensamento” era modificar as palavras, reduzindo seus significados para evitar oposições ao regime. Uma guerra de pensamentos, de expressões, de ideias:
“Guerra é Paz; Liberdade é Escravidão; Ignorância é Força” era o lema.
Parece que ser politicamente correto tem a ver com pedir desculpas por ter uma opinião diferente da maioria, ou, quem sabe, deixar que os outros pensem, sintam e concluam por mim. Não acho que seja a toa. Unanimidades? Bem, talvez Nelson Rodrigues tenha razão. 858502-zeca-camargo-critica-cobertura-da-morte-950x0-2

Como vemos o mundo

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Ninguém enxerga a vida exatamente como o outro. Felizmente existem olhares diferentes, perspectivas únicas. Não é bom converter, reprogramar o outro conforme o meu olhar, por melhor que seja para mim. Cada pessoa é um jeito de ver e cada jeito são muitos.
O mundo que vivemos é criação de nossa consciência. Você pensa que é o mesmo mundo para todos, mas não é. Cada mundo é uma interpretação e a vida vai se projetando no caminho conforme dou significado. Mas a vida é movimento e os significados mudam, os olhares se alteram, eu sou muitos. Você também. Pacifiquemo-nos com isso e estaremos em paz com o mundo.