Eu lar

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Nós, humanos que vivemos e morremos buscando repouso. No colo da mãe, na casa do pai, no beijo de amor, no abraço amigo; repouso no cenário de paz, na vida que não para, não cede e segue nos levando em seu próprio fluxo.
Queremos repouso e passamos os anos em busca de pouso. Um lugar, casa, causa para o caminho.
Que seja ar, que seja chão, céu, mar, que seja.
O tempo nos desloca, nos leva para longe, nos dá, nos tira, nos enche, nos cansa.
O colo da mãe, brasas da chama de outrora que não acho em promessas, nem nos espaços, não acho.
Nós humanos que vivemos e morremos buscando repouso.
Nós, viajantes distantes de casa, saudosos pelo hino da pátria que toca sempre que o sol se põe, nas noites escuras, nas madrugadas frias e chuvosas, cruéis com peregrinos que só querem o aconchego do lar e, por isso mesmo, sem saberem, passam a vida buscando.
Infrutífera busca!
Até desistirem.
Até cansarem.
Até aquietarem.
Repousam na casa que são. Cansaram pois correram, assumiram sobrecargas desnecessárias e não repararam que a luz sempre esteve acesa.
Ainda há cheiro de bolo. Há colo de mãe, abraço amigo na casa do pai.
Na casa que sou lugar para pouso.
As buscas cessaram.
Me recolho enquanto lenhas aquecem a lareira. Encontro aconchego no meu lar.
Eu lar.
Tudo voltou ao lugar. Sempre esteve.
Humano que sou.
Encontro repouso.

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3 comentários sobre “Eu lar

  1. Mp

    Isto não é texto. É um poema, e como tal nos inebria a alma, tanto que até desencavei não sei de onde esta palavra….
    bjs
    Mp

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