Oração de pai

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No dia do meu filho, a oração que um dia meu pai fez por mim (e meus irmãos), captada em áudio na voz dele, quando eu tinha a idade do meu filho. Hoje essa é minha oração.

A pele de Julieta

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Romeo_Juliet

Aproximação gera complexidade. A pela macia e sedosa deixa de ser na lente de aumento. José Saramago dizia que se Romeu tivesse olhos de águia não se apaixonaria por Julieta. Assustaria com a pele, os poros, os pelos… Fugiria.

Paixões dificilmente resistem ao dia a dia. No sonho é mais simples. A saudade se encarrega dos complementos, dos preenchimentos de espaços que aumentam com a familiaridade. Aproximaram-se e o que era simples complexificou-se.
A pintura não será entendida enquanto estiver muito perto da tela. Recue alguns passos, faça como o artista e os rabiscos farão sentido, as cores clarearão, o cenário aparecerá. Superficialmente.

Coloque um inseto na lupa. Deixará de ser um bichinho escuro, inofensivo e virará monstro com olho, boca, tentáculos. Um fio de cabelo. Aproxime-se ao máximo e não saberá o que é porque aproximações geram complexidades.
Como uma família perfeita. De perto deixa de ser.

Nenhum tema resiste incólume quando olhamos de perto. Nenhum milagre. Nenhum evento fantástico. Nem Deus. Nem o amor. Nem certeza alguma. Argumentos não resistem, teses não se sustentam como absolutas quando analisadas em detalhes. Aproxime-se do que quer que seja e verá outra coisa, outros lados, outras caras.

O medo de ver nos mantém distantes. Não queremos saber.Tememos o desconhecido e nos acostumamos com a superficialidade, a estética, os contornos, os códigos, tudo o que nos alimente a sensação de controle. Queremos controle. Vasculhe as emoções. Analise o que sente, o que pensa, o que é, aproxime-se e provavelmente assustará. Encontrará pontas soltas, fios que não se
conectam, pelo menos não do jeito que imaginava, certezas dissolvidas há muito tempo sustentadas por escombros.
Aproxime-se e assustará.

Depois que nos vemos é difícil recuar. Agora é preciso novas escolhas, doloridas tantas vezes, complexas, mas necessárias.
Decidir o que fazer com o que viu ou fingir que não viu? A cruel decisão de quem chegou mais perto, furou os bloqueios da superficialidade e descobriu a pele sedosa com poros enormes e pelos assustadores. Se agora que viu, Romeu decidir amar Julieta, então será eterno. Será amor.

Pensando o Brasil – Insight

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É possível pensar no Brasil para além das discussões políticas/ partidárias. Em tempos de crise é necessário consciência do que realmente representamos na sociedade e o que individualmente podemos fazer de relevante no mundo em que vivemos. Não importa se você é de esquerda ou direita, se é a favor ou contra o governo, assista o vídeo abaixo e tente enxergar com mais clareza. Fique bem!

Nomes que a gente dá

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Alone in a Crowd

Você chama de Deus. Mas não é Deus que procura.
Acha que é felicidade. Mas o que é felicidade além dos comerciais de margarina ou de carros potentes?
Você pensa que procura um grande amor? Engano. Quantas vezes “grandes amores” viram outras coisas, perdem o brilho na mesma proporção que deixam de ser novidade.
Damos nomes às coisas de fora, mas dentro da gente elas vivem sem nome, todas eu, todas em mim, silenciosamente angustiadas até serem encontradas. Até que eu me cale e ouça. Até que eu veja e enxergue. Até reencontrar o caminho de casa, a minha casa, a casa que sou.

*Trecho do texto “A casa que sou” publicado aqui no blog no dia 27/03/15

O start das revoluções – Insight

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Você não sabe, mas pode estar nesse instante desencadeando uma verdadeira revolução. Gosto de pensar que as revoluções não começam naquele ponto que a história mostra, mas em pequenos movimentos, escolhas sutis, anseios que vieram e foram silenciosamente, mas produziram impactos que jamais teremos controle. Pessoalmente, bem mais do que as nações, empresas ou instituições, acredito que cada ser humano é potencialmente o grande start de todas as revoluções. – Aqui no vídeo abaixo falo um pouco mais sobre isso.

Tudo a mesma coisa

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A experiência com a morte é sempre uma experiência fora de nós, portanto, reflete nossos medos, nossas crenças, nossas cegueiras. Quando a nossa morte chega, percebemos que ela sempre esteve lá, que é parte da vida, que uma ou outra eram linguagens de uma coisa só.
É preciso pacificar-se com a vida para deixar de ter medo da morte.

Santo dos seus

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Todo diabo é santo para alguém, todo santo é ou já foi diabo, de modo que só me resta a consciência de que não há santos que resistam ao cotidiano, afinal, quanto mais enxergo de perto, mais complexidade vejo. Na lente ninguém é totalmente do bem, nem do mal. Somos nós expostos no outro para que não haja outro,
para que não haja nós.