Tudo o que você já sabe

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Sei que você sabe muitas coisas.

Sabe que bem e mal moram dentro da gente, que os acontecimentos não carregam nada que não seja projeção do nosso olhar. Já escrevi muito sobre isso.

Provavelmente você já leu muitos textos meus – e de outros – falando sobre o agora, o dia chamado hoje, o passado miragem, futuro ilusão e sobre a necessidade de despertarmos, enxergarmos no cotidiano, no simples, na vida, hoje, agora, as respostas que tantas vezes projetamos lá longe, distante, inacessíveis, inalcançáveis.

Eu quase apostaria que não será nenhuma novidade, nada novo, nada inédito para você, se me ouvir falar sobre nossa tendência para autossabotagem, nossa dificuldade em aceitar que geralmente aquilo que mais tememos, aquilo que nos amedronta e desgasta, é só uma ameaça, um ruído que não existiria se desistíssemos de acreditar em todas as fantasias sopradas por nossas mentes impressionadas, apequenadas, restritas no tempo e espaço.

Não sou o primeiro, o único, nem o último a dizer que o mundo lá fora reflete o mundo aqui dentro, que nossos corpos são fronteiras entre as paisagens impermanentes e as atemporais, entre projeções e significados, entre o que parece e o que é.

Quando estamos em paz, a paz se projeta como realidade, cala ruídos, reverte tragédias.

Você sabe muitas coisas, nenhuma dessas é novidade, sei disso.

Mas também sei que as vezes a gente se esquece, que, de vez em quando, só vemos o que incomoda, que há momentos que o dia parece ter virado “dia mau”.

Quando é assim, não custa lembrar, ainda que, repetitivo, escreva de novo só para reforçar, cessar a angustia e dizer mais uma vez tudo o que sei que você já sabe.

Olhar de mundo

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Em um mundo cada vez mais interligado pela tecnologia e pelas nossas produções, aumenta a necessidade de lidarmos com nossos conflitos como parte de um único problema e nossa falta de percepção em relação a conexão de tudo, como a causa da maioria dos males que nos atinge como sociedade.

Sendo mais claro: Muito do que nos faz mal é reflexo de nossa incapacidade de percebermos que nossa atitude individual influencia diretamente na vida do outro, no coletivo, no todo.

Aquele que vive preocupado apenas com si mesmo, acumulando o que pode e o que não pode em nome de sua própria “segurança”, ainda que não saiba, constrói um muro ao seu redor, entrará em labirintos, abrirá portas, mas não achará saídas, se isolará, mesmo quando rodeado de gente.

Quem ignora que cada atitude, cada escolha, por menor que seja, impactará de alguma forma na vida de outros, interferirá no ambiente, construirá novos cenários, será chamado para um confronto com a realidade e, acredite, isso pode ser doloroso.

O que faço aqui chegará aí e o que vem de lá, passará por aqui. Se o apelo do consumo é para que nos sintamos como ilhas, a realidade da existência nos provoca constantemente para que nos enxerguemos como parte de um todo, promotores de consciência ou insanidade global, viajantes da mesma nave, membros de um corpo só.

Viver em sociedade é um grande exercício de auto percepção.

A consciência de que minhas escolhas impactará outras pessoas e produzirá sequências de acontecimentos correlacionados – criará situações que nunca saberei para pessoas que nunca vi – tem o poder de deslocar meu eixo gravitacional, diminuindo o próprio ego, aproximando-me de você, iluminando minha mente para que eu veja o quanto precisamos uns dos outros, o quanto cada um de nós é fundamental na construção de uma vida melhor. A minha vida, a sua e de todos que virão