Contradições

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“A existência das contradições e o fato de que cada uma só pode ser interpretada a partir de cada humano, não neutraliza o fato de que, ao se deparar com alguma delas, você acabou caindo dentro da história e, ainda que não entenda porque o outro está passando por determinada situação, tem a chance de responder a vida e ao próximo em amor, conforme aquilo repercutiu em você.” Livro O ÉDEN

Vozes

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O mundo fala com muitas vozes.

Desde o levantar da cama quente e desarrumada enquanto se prepara para mais um dia, se dirige aos compromissos, cumpre tarefas, até voltar para casa, fazer o que deve fazer, voltar para cama; estamos expostos as vozes.

Nem sempre são audíveis e sua comunicação é estabelecida em outro nível, mas estão ali: induzindo, oferecendo, propondo direções.

Algumas reforçam a sensação de direito : ” eu mereço”, “eu devo”, “eu quero”. Outras nos ameaçam: “faça, se não…”, “compre, caso contrário…”, “tenha, ou então…” “acredite, caso contrário…” E assim, expostos às vozes do mundo e as suas sutilezas, caminhamos acreditando que somos nós quem construirmos nossos caminhos. Bobagem!

Como máquinas de impulsos direcionamos passos de acordo com nossos reflexos que no fim das contas se alimentam de carência e medo da morte.

Se o tempo é curto, vamos fazer tudo enquanto dá.- pensamos quase sempre.

E assim o processo se retro alimenta.

Que vozes são essas? Desde mensagens publicitárias até informações que consumimos, às vezes os anseios que mais sublimamos. São as pessoas que nos relacionamos e nossos pensamentos mais secretos, nossas crenças, nossos medos, nossos desejos. De um jeito ou outro estão ali: marcando território, fomentando impulsos, influenciando sutilmente.

Mas nem tudo está perdido. O desafio é, em meio a essa teia de informações, mudar o olhar e começar a ouvir outra voz: a consciência.

Alguns chamam de consciência, outros de uma “estranha sensação que me dizia…”; pode ter sido o sonho da noite passada tão cheio de significado e estranhamente real, um insight, uma co-incidência, um movimento de sincronicidade, quem sabe aquela sensação de que algo está errado e é preciso mudar o caminho? É aquietar-se, calar os ruídos, ouvir a si mesmo.

Não perca a capacidade de ouvir.

Aprenda a discernir as vozes que ouve.

Nem todas fazem bem, nem todas são ruins. Algumas podem ser boas para outros, não para você. Por isso deixe que passem pelo filtro da consciência, pelo crivo da reflexão, que atravessem o lago de silêncio até chegar à você. Não seja impulso.

Nossas vidas estão interconectadas de várias maneiras e sofrem muito mais interferências do que você pode imaginar.

Não vemos, mas sentimos, não ouvimos, mas assimilamos e assim seguimos nossos caminhos, expostos, cansados e manipulados.

O antídoto está em você.

Reconheça-se, exponha-se, enxergue-se. Ouça a si mesmo e não despreze os movimentos sutis de sua consciência. Com o tempo se tornará mais eloquente.

Em meio a tantas vozes e comandos, talvez esteja faltando olhar para dentro e saber que tudo o que procura já existe e mora dentro.

É só perceber.