Emigrantes em pátria

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“Tudo mudou tão depressa em volta de nós: relações humanas, condições de trabalho, costumes…Até mesmo nossa psicologia foi subvertida em suas bases mais intimas. As noções de separação, ausência, distância, regresso, são realidades diferentes no seio das palavras que permaneceram as mesmas. Para apreender o mundo de hoje usamos uma linguagem que foi feita para o mundo de ontem. E a vida do passado parece melhor corresponder à nossa natureza apenas porque corresponde melhor à nossa linguagem. Cada progresso nos expulsou para um pouco mais longe ainda de hábitos que mal havíamos adquirido; na verdade somos emigrantes que ainda não fundaram a sua pátria.” – Mais uma de Antoine Saint-Exupéry em Terra dos homens

Veja se puder

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Todo conhecimento, todo anseio, toda sabedoria, todo processo de intelectualidade deve conduzir à simplicidade. Caso contrário será apenas labirinto, respostas que geram perguntas, perguntas que jamais cessarão, produtoras de angústia inesgotável.

Não há limites para o conhecimento, seja na área que for. Quanto mais aprendemos, mais conscientes que o caminho é eterno, que nada sabemos, uma coisa leva à outra, uma questão, novas questões, por isso, o ponto de chegada deve coincidir com o ponto de partida.

Como uma criança que na vida adulta se entrega às complexidades e redescobre na velhice que perdeu grande parte do tempo em bobagens. Velhos voltam a ser como crianças. O ponto de chegada coincide com o de partida.

Se partirmos de um coração simples, se a viagem acontecer com a curiosidade das crianças, será possível esbarrarmos nos mais elevados insights, aprenderemos os mistérios da física, literatura, ciência, filosofia, podemos ir bem longe, no entanto, sem nos entregarmos ao reducionismo da presunção.

Quem pensa que sabe deixa de aprender. Para esse o conhecimento torna-se um fim em si mesmo e então as cortinas se fecham e as vozes se calam.

Um coração aberto concluirá que a verdadeira sabedoria deve levar à simplicidade, a incrível descoberta que tudo já estava lá, desde o princípio da busca, complexidades do universo impressas nos organismos mais simples, mistérios da filosofia revelados nos pensamentos mais despretensiosos, no entanto, eloquentes em sinais.

Posso fazer grandes viagens, chegar à conclusões que nenhum outro humano concluiu, até perceber que tudo me aponta para a mesma direção, aonde o aprender se curva ao apreender de significados que se expressa nas relações, nos vínculos, na capacidade de ser amor.

Não há grande descoberta que não se projete em simplicidade. Nenhum grande conhecimento que não desdenhe de nossa presunção de saber.

Está tudo ai, espalhado pela terra, boiando nos oceanos, levitando nos ares, no espaço, fragmentos de absoluto e de mistérios maravilhosamente distribuídos no relativo, no fraco, no simples.

Tudo a disposição para quem se cala diante do que é e simplesmente enxerga.

Veja se puder.