Quem disse que seria fácil? – INSIGHT

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É mais fácil acomodar-se. Mais fácil dizer que não dá, que é assim mesmo, que a maioria faz, que mudar a mente, evoluir, enxergar com mais abrangência, é para poucos. É mais fácil permanecer na contrariedade, insistir na amargura, abraçar-se na rigidez de alma, de olhar, de pre conceitos, proteger-se na opinião dos outros, mascarar-se com desculpas esfarrapadas. É mais fácil permanecer no sono a despeito da insistência do despertador, enrolar-se no cobertor, virar para o lado e prolongar-se enquanto já deveria ter levantado, sim, é mais fácil. Apesar de reconhecer que assim é, nesse vídeo faço um convite que vai em desencontro ao que parece mais fácil. Afinal, quem disse que seria fácil?

Esses…

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Esses carros de som, esse jingles, esses retratos, esses sorrisos que não são. Os que entopem minha caixa de entradas, interrompem a programação das rádios e Tvs, os que poluem a cidade, a internet, a política do país. Esses, que querem meu voto, os que prometem, insistem, infestam e não vão…

A árvore

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The-Big-Tree-1200

Uma árvore em algum lugar escondido no meio da Amazônia. Ninguém vê. É uma árvore centenária, frondosa, enorme. Suas raízes parecem várias pernas, um tronco irregular sustenta o imenso corpo estendido sobre a terra, braços abertos, frutas à disposição de pássaros que vem e vão.

O tempo é de exuberância, as folhas refletem a luz do sol enquanto servem de abrigo para um macaco que descansa em um galho qualquer. Alguns metros acima há um ninho. De vez em quando a ave mãe traz alimento, traz pedaços de galhos, de folhas, o ninho aumenta, é casa dos pássaros, pelo menos enquanto não aprendem a voar. Logo sairão para ganhar os céus.

Não há olhos humanos que a contemple. Nenhum homem ou mulher teve acesso ao frescor de sua sombra, a doçura de seus frutos, a beleza que involuntariamente exala daquela árvore em algum lugar escondido no meio da Amazônia, mas isso não faz a menor diferença. Ela não precisa de elogios, nem aplausos, nem reconhecimento. Ela não almeja ser promovida a nada, não entra em contendas com as colegas árvores na tentativa de saber qual delas é a mais bela. A árvore que nasceu para ser árvore jamais entrará em crise por não ser uma rocha.

Não há preocupação em ser abrigo para o macaco, nem ninho de pássaros, tampouco esforço para dar frutos, simplesmente acontece. Há épocas do ano menos frutíferas e a árvore parece encolher. Há renovação natural, as folhas que secam, os galhos quebram, a exuberância some. Há dias de chuva, de terra molhada, de crescimento exponencial. Há dias de seca, de sol escaldante, de pouco ou nenhum fruto.

Entre elas não há pecado, nem moral, nem virtudes ou defeitos. Não há competição, nem guerras, nem inveja ou ambição para aumentar a produção de frutos, de folhas, a abrangência da sombra, a população de macacos ou a quantidade de ninhos, um condomínio de ninhos quem sabe? Tudo decorre por consequência, apenas consequência.

Não fazem nada além de ficarem ali, sendo o que nasceram para ser, expondo-se ao sol, abertas à chuva, usufruindo de cada estação, alimentando-se do que a terra dá; sendo árvore. Sementes expostas ao tempo, aos processos, ao crescimento involuntário, natural, sem esforço ou ansiedade, sem intervenções humanas, sem nenhuma angústia para ser o que são. Sementes que viraram árvores.

O macaco despertou e se movimentou com agilidade. Assustou os pássaros com aqueles piados fracos e agudos, mas a mãe não ouve. Está em busca de alimento, daqui a pouco volta com algo no bico. Ela pousará no galho que abriga o ninho, na casa entre tantas outras, na árvore em algum lugar escondido da Amazônia. A árvore que ninguém vê.