Politica e espiritualidade?

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“Aproveito a oportunidade e vou fazer-te a mesma pergunta que os fariseus fizeram a Jesus: a espiritualidade se mistura com a política? É justo “um punhado de gente regurgitar de coisas supérfluas enquanto a multidão faminta carece do necessário”?(ROUSSEAU, Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens.)”

– Espiritualidade é viver sua humanidade em verdade, na plenitude da própria relatividade, consciente de que sempre estamos indo à algum lugar, seja na dimensão de vida que for. Portanto a pergunta seria: é possível ser humano na política? Cada um responda por si mesmo.

O universo que somos nós – INSIGHT

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Não quero ser portador de nenhum absoluto, sei que sou relativo. Não quero ser referência para nenhum tipo de mensagem, sou aprendiz sempre.

Não quero estar preso a dogmas, sequestrado por códigos de linguagem, por percepções únicas, restritas, amedrontadas, sem coragem de questionamentos, sem espaço para dúvidas, sem honestidade para o auto confrontar-se e enxergar-se. Não quero ser nada além do que sou, consciente que minha busca pode ajudá-lo na sua, não porque sei mais, mas porque as experiências se conectam, se completam, se aplicam em determinados momentos que muitas vezes compartilhamos.

Enxergar implica em desconstruções, perceber-se pode desembocar em quebra de paradigmas, em novas descobertas, na coragem de deixar as nuvens, ascender ao céu e depois ir mais longe. Esse Insight é mais um dos que me nego a dar respostas prontas, é mais um dos que inquietará muita gente ( portanto só veja quando tiver tempo pra parar e prestar atenção por 15 minutos), mas, tomara, pode ser útil para que você perceba e chegue sozinho a muitas conclusões.

Depois do por do sol

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Depois que eu vi o sol nascendo pela primeira vez, ele nasceu em mim.
Quando se pôs, não sabia se iria voltar, mas algo dentro não apagou.
Veio a lua. Ela chegou. Algo novo, outra luz, branda, suave. Eu não sabia que refletia o sol e, quando foi embora, entendi que daqui de onde vejo, nada é definitivo.

Vi que a terra nasce todos os dias e morre em cada segundo. Nem as cores, nem os sons, os tons, nem as caras, nem as vozes, os uivos, os barulhos, os passos viram pegadas, as luzes viram sombras e depois se vão, nem o que eu vejo, nem o que penso. Tudo o que nasce e depois se põe. Tudo que brilha vira reflexo, depois apaga. Tudo o que é, deixa de ser. Vai.

O tempo que nasce e põe suas mãos sobre as coisas que vão, carregando-as para além do horizonte que não vejo. Eu só vejo o sol se por. Eu não vejo.

Reflexos. Combinações de cores, intensidades diminuem, alteram-se perspectivas, ciclos que terminam. Nada é definitivo. Nada é como parece. Só parece o que aparece no meu campo de visão. Eu não vejo.

E o tempo que me leva para depois do sol. No horizonte que se apaga, na luz que diminui, na sombra, densa, voraz, na escuridão que vira abismo, sem brilho, sem teto, sem chão, sem nada, vazio até que a noite termine. Nada é como parece.

Depois que eu vi o sol nascendo pela primeira vez, ele nasceu em mim.

Quando se pôs, não sabia se iria voltar, mas algo dentro não apagou.
Veio a lua. Ela chegou. Algo novo, outra luz, branda, suave. Eu não sabia que refletia o sol e, quando foi embora, entendi que daqui de onde vejo nada é definitivo.

Não é. Até que renasça no universo que sou, nas paisagens que me habitam, na luz que sai do olhar, no tempo que vira um instante, o único que há, o único que sou. Agora vejo. E o que vejo me basta. E o que me basta, me cala. E o que me cala me pacifica. E o que me pacifica não precisa mais de explicações. Silêncio. Agora vejo. D