Relações virtuais. O que pais e mães precisam pensar. – INSIGHT

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Daqui para frente a tecnologia será um dado cada vez mais presente na vida de todos. A não ser que algo completamente inesperado aconteça, essa é uma tendência irreversível. Como será o mundo daqui 10, 20, 30 anos? E os que viverão depois de nós, como devem ser preparados? Como agir com as crianças cada vez mais seduzidas pela virtualidade? É sobre isso, especialmente sob a perspectiva de como lidar com as crianças é que eu falo nesse mais novo Insight. Vale para as crianças, mas vale para adultos também.

Isso deve bastar

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Às vezes me perguntam “Flavio, quando você despertou?”. Acho engraçada a pergunta porque não acho que já despertei, mas estou despertando. Há tempos em que sinto ter caminhado mais, outros tempos parecem sem grande evolução, mas é assim, um pouco por dia, sempre.

Confesso que me incomodo quando vejo gente tentando vender a ideia de completa iluminação, como se já tivesse visto tudo, transcendido o ego por completo, iluminado todos os porões da alma, os sótãos da mente, os cantos mais escondidos da própria humanidade.

Andam por ai como seres acima da própria relatividade, esquecendo que ser humano é condição essencial para quem quer despertar. Quanto mais forte tento aparentar, quanto mais distante do cotidiano, das experiências do dia a dia, mais enfraqueço. Estranho perceber que minha força mora exatamente nas contradições, no assumir-se, no enxergar-se. É na relatividade aonde me encontro.

Portanto não há despertos entre nós. Ainda que alguns tenham caminhado um pouco mais, para, ao chegarem em determinado estágio, perceberem o tamanho de própria cegueira e conclua que o pouco que sabe serve para aumentar a percepção que falta muito. Quanto mais aprendo, mais consciente do pouco que sei.

Não posso medir o quanto alguém evoluiu em percepções, pelo menos não a partir dos discursos ou teorias. Isso porque, quanto mais enxergo, mais claro que entre nós não há hierarquias de “mestres” e “servos”, mas gente. Gente que está aprendendo a caminhar, tropeçando nas próprias pernas muitas vezes, cada um com seu nível de compreensão, seus processos de maturação, seu tempo para ver as coisas.

Quem enxerga não quer ser superior. Quem enxerga vira amigo, irmão, humano que conhece suas próprias dificuldades e por isso mesmo é paciente com o outro, não julga, não se esforça para parecer o que não é, simplesmente caminha junto, ajudando, deixando ser ajudado, em simplicidade, em verdade.

E assim, todos os dias, um pouquinho em cada tempo, sem pressa, sem angústia, despertaremos até que não seja mais necessário estar aqui. Enquanto isso, sigamos no caminho em gratidão pelo simples fato de sermos humanos e de podermos caminharmos juntos. Isso deve bastar.