Olhares

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Não há uma única maneira de enxergar a vida, uma só perspectiva que valha, um absoluto no qual todas as culturas devem caber, pelo contrário, há infindáveis estradas, códigos intermináveis, uma constelação de possibilidades para cada acontecimento, cada reação, cada expressão de vida. O seu é apenas um minúsculo lado da história.

Saudade de nós

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É preciso encontrar-se. Saber que o vazio é a falta de nós mesmos, sufocados por tantos condicionamentos, tantas crenças, tantos medos, tanta culpa, tanta coisa que disseram que deveríamos ser. Nos transformamos em sub produtos culturais, reagimos a estímulos, nos moldamos conforme o ambiente, o tempo, a sociedade, a cultura, os interesses, as crenças, até percebermos que estamos longe. Saudade de nós mesmos.

Revelando o que nos habita

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Confesso que não consigo gostar de nada que seja plástico, sem vida, que busque recursos estéticos ou emocionais para enganar quem vê, apelando para o sentimentalismo enquanto disfarça a falta de conteúdo.

A graça está na naturalidade, por mais que o natural esteja fora de padrões estéticos ou usualmente aceitos.

Vivemos no mundo das aparências, onde a forma vale mais do que o conteúdo.

Os políticos sabem muito bem disso. Melhor do que uma proposta coerente, é uma discurso emocional com voz embargada, trilhas bonitas, imagens inspiradas, jovens e idosos por perto, pelo menos até que os holofotes do estúdio apaguem.

A maioria de nós se impressiona com isso.

Todos os dias recebo “orações”, “poemas” ou histórias “inspiradoras” cheias de clichês, chavões com muito mel e açúcar e fico pensando “como tem gente que acha bonito e ainda repassa !?”

Não é questão de forma, muito pelo contrário, é a falta de inspiração; vento em embalagem de cristal.

Em compensação, quando é de verdade, pode ser feio, anti estético, sem regras, pé nem cabeça, mas se vier do coração virá carregado de beleza. A beleza de quem colocou alma no que fez.

As palavras saem com naturalidade, os movimentos, as produções de quem não se preocupa tanto com técnicas, mas deixa que sua vida seja expressão do que lhe habita e flua através do que se propõe a fazer. É uma entrega, uma doação.

O olhar revela o que tem no coração, a boca fala sobre o que enche a alma, o som é sempre bom quando vem de dentro.

Suas produções diárias revelam o que tem dentro de você.

É por isso que nos revelamos em tudo o que gostamos.

No jeito, nos toques, gostos, conceitos, leveza ou dureza. Nas palavras, olhares, sentidos e direções, tem muito de você em tudo o que faz.

Textos sem alma são apenas combinações de letras, músicas sem verdade não passam de acordes sem significado, como gente esteticamente favorecida mas vazia de humanidade, paisagens virtualmente construídas sem vida, sem alma, sem verdade.

Entre conteúdos fico com os que vem do coração como fruto da real produção da alma. Que nossa interioridade vaze em nossas produções revelando com beleza natural e involuntária o que nos habita, o que somos de verdade.