Pra que fique claro

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Buscar “fora” é viver na tentativa de encontrar significados inerentes aos acontecimentos, como se cada um impusesse por si só uma única leitura e coubesse a cada humano simplesmente se adequar, independentemente das próprias experiências, todos, uns diferentes dos outros, encaixando-se em uma realidade fixa, autônoma e arbitrária.

Buscar “dentro” é a habilidade de decodificar acontecimentos, interpretando-os a partir do que me habita, enxergando minha interioridade revelada nos significados que produzo. Nós não enxergamos a realidade, até porque o numero de realidades é a somatória de mentes que  interpretam. Nós apenas nos enxergamos no mundo que aparenta estar fora, mas o mundo é uma construção interior.

O caminho para gente

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O que é ser iluminado?

Quem entre nós é o ser que de fato “despertou”, se não aquele que reconheceu sua natureza humana, ambígua, contraditória e por isso mesmo caminha com serenidade e reverencia diante da vida?

Ser “vagalume” não é quem pensa ser dono da luz, o iluminado, o grande mestre. Esse intoxicou-se de si mesmo, filho do ego, cego na terra de cegos.

Chamo de “vagalume” quem tem consciência que a luz que reflete, é reflexo do todo, de todos, de tudo, apesar de mim, ainda que nem sempre as coisas estejam tão claras. Quem entre nós chegará a algum lugar, sairá desse mundo de condicionamentos, sem que se exponha aos próprios labirintos? Quem disse que o caminho é reto e que nele não há dor?

Conviveremos com o eterno conflito entre o que nos habita e aonde habitamos, o que é e o que deveria ser, o quanto avançamos contrastando com percepções de que falta muito, que é preciso caminhar, que há algo em construção.

Nós estamos em construção.

Caso contrário não haveria nenhuma razão para experimentarmos a vida em um corpo finito, em um mundo afunilado por nossos próprios limites autoimpostos, nossos medos, nossas ganâncias, nossas culpas.

Estamos em construção.

É por isso que às vezes o barulho da obra incomoda tanto, por isso demora, por isso dói. A questão é como experimentamos essa dor e o quanto somos capazes de projetar significado.

É isso que nos diferencia !

Não o esteriótipo de uma vida “iluminada” acima do bem e do mal, um ser quase vegetal, pelo contrário, a chave de nosso despertar é justamente nossa capacidade de desenvolvermos humanidade, permanecermos sensíveis, sabermos que nossa saudade de casa jamais será plenamente saciada enquanto não aprendermos a lidar com a relatividade, a nossa relatividade, aquilo que tanto nos incomoda.

Chegaremos em algum lugar no dia em que nos pacificarmos diante do caos, nos aquietarmos no meio da multidão, descansarmos mesmo quando tudo parece em desordem.

A paz mora dentro. Tudo mora na gente. Tudo.

Ninguém disse que seria diferente e o caminho do despertar passa por aclives, declives, dia e noite, inverno e verão. Felizes os que atravessam as fases com serenidade e a certeza de que tudo o que vê, tudo o que sente, tudo o que hoje porventura lhe angustia, não passa de paisagens do caminho, cenários do caminho de casa. O caminho para construção de quem você é.