Uma professora preocupada

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O texto que publiquei hoje de manhã foi uma resposta à mensagem que uma professora preocupada me enviou. Infelizmente não se trata apenas da experiência dela ou algo pontual, mas algo quase generalizado. Com autorização, reproduzo a mensagem pra nossa reflexão:

“Voltei há poucos dias, de uma experiência muito bacana como monitora de um grupo de 30 crianças. Viajamos durante 15 dias desde Espanha até uma pequena cidade no sul da Inglaterra para que eles pudessem praticar o idioma Inglês.
Como experiência pessoal, foi bem legal. Experimentei ter mais paciência, mais amor incondicional, entrei em contato com minhas sombras, etc…
Mas, o quero compartilhar é o que vi nas crianças e me chocou.
Acho que é um conjunto de fatores: falta de educação emocional tanto em casa, como nas escolas. Claro, que vi honrosas e lindas exceções, mas no geral, foi assim:
Crianças frágeis emocional e fisicamente.
Dependentes químicas (tinham entre 9 e 13 anos)
Viciadas em celulares e afins.
Estávamos em uma escola/internato, tipo Harry Porter, com um espaço tão lindo e tão grande, repleto de coelhos e cachorros soltos pelo campus. Quadras para praticar vôlei, futebol, tênis, piscina, área verde a perder de vista e ainda tivemos sorte em ter muito sol na Inglaterra!
Pois, os crios, só reclamavam todo o tempo, sempre em um tempo futuro ou passado, nunca no presente. Quando estávamos indo à algum lugar, primeira pergunta: Quando chegamos? Quando chegávamos: Quando voltamos?
Quando estávamos no campus, queriam estar sempre nos quartos, pois ali, tinham acesso a internet, e o sol lá fora lindooooo, grande, convidando à brincadeiras e ser feliz.
E, não, não é culpa dos monitores. Fizemos brincadeiras, tivemos planos, subimos em árvores… Quando subimos, algumas crianças perguntaram: Como vcs fazem isso?
Flavio, já viste uma criança que não sabe como subir em árvore?
Agora, se íamos visitar alguma cidade perto, logo perguntavam: Têm lojas ali? Podemos comprar?
Comemos super bem, no colégio, tinha uma equipe de cozinha ótima… Nas pesquisas que fizemos, a maioria dos alunos, reclamou da comida. Quando íamos à cidade, compravam vários embutidos, comida artificial, etc…. e, se sentiam felizes.
Não gostavam de caminhar, tinham dor em todas as partes e pediam logo remédios: Cadê minha aspirina?
Eu dizia: Bebe água, come algo, descansa e se depois disso tudo, ainda sentir dor, damos remédio…
Não! Quero minha medicina já…. ( 9 e 13 anos…)
Flavio, não quero que penses que as crianças eram más, doidas ou algo assim… nada, super lindas, simpáticas e tal….
Mas, perderam ou nunca souberam como ser crianças ou se divertir.
Senti tanta fragilidade, tanta solidão. Não sabiam falar em público, super dependentes. Entediadas!
Fiquei triste em ver nas crianças, aspectos de adultos…
Por isso, fiquei feliz quando hoje, li o post que a educação emocional está sendo implantada nas escolas.
Nos últimos dias, podíamos escolher entre ficar fora brincando no campus ou no Lounge (onde tem vídeo-jogos e internet) Adivinha onde eles escolheram?
Onde estão os índigos, os cristais?
Vi, pouquíssimos.
Enfim, isso queria dizer.
Só um relato de uma professora preocupada.”

4 comentários sobre “Uma professora preocupada

  1. MP

    acabei de responder ao Emanuel pelo comentário da postagem anterior, onde ele diz que somos todos crianças brincando em um grão de areia. Depois de ler Uma professora preocupada eu pergunto quais crianças, as que fomos … e agora?
    Todas nascem simples e amplas … são os pais coniventes com a sociedade, que fecham seus horizontes….. que pena!

  2. Madalena Sofia

    Impressionante. Creio que estes meninos estão mesmo adoecidos, pela modernidade, embora a evolução seja boa, com tecnologias avançadas, os pais não podem perder o foco no cuidado com os filhos. Pobrezinhos, sentindo até dores no corpo. bem que ja´ouvi dizer que muitas crianças lá fora, desde pequenas, são viciadas em drogas (remedios). Inacreditável. Criança tem que ter saude e ela começa com alimentação adequada, brincadeiras, exercícios, meu Deus!!! Que bom que esta professora teve a sensibilidade.
    Parabéns a você, Flávio e a ela.

  3. Paulo A. Nascimento

    É muito triste ver uma geração de crianças , adolescentes que não sabem mais “brincar’ se divertir sem a “ajuda” da tecnologia , eles acham um absurdo que a algum tempo atrás não existia internet, redes sociais etc….para eles sem essas coisas , parece que o mundo não existe!

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