Nosso caminho, e o deles também – Nossas crianças

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Nossas crianças refletem o que somos. Eles somatizam na indiferença com a natureza, a hipocondria, os medos, e, sobretudo, o apego a virtualidade, os males que nós mesmos alimentamos.

É nossa pressa impressa em seus olhinhos tão precocemente distraídos, nossa falta de atenção refletida no mundo falso que querem viver, nossa ganância que recai sobre eles e faz com que se sintam solitários, vazios.

Cuidar de uma criança é uma incrível experiência, porque, nem que seja por amor a eles, somos obrigados a nos enxergarmos.

Por enquanto é para nós que olham. Não é o que digo, não são os “sermões”, mas o que sou. Sempre que me salvo, salvo uma criança. Salvo a minha criança em mim, no que sou, no que estou me tornando e se projeta adiante, neles.

Também sei que é preciso considerar nossa cultura. Crianças são expostas à cultura, influenciadas por ela, tem sua própria personalidade, suas tendências, dificuldades e nem sempre refletirão exatamente o que os pais tentam ensinar. Há beleza nisso.

São seres autônomos vivendo as próprias experiências, crescendo, aprendendo, tirando suas conclusões. Por isso nem tudo o que penso ser bom faz bem à eles.

É fácil perceber quantos pais excelentes sofrem com filhos “perdidos”, que aparentemente escolhem um caminho completamente diferente do que foi ensinado. Mas confesso que particularmente tenho uma esperança: ainda que nossa influência tenha limites, mesmo que, a partir de certo ponto da caminhada, cada humano tenha que escolher por si mesmo, acredito que podemos, como pais, professores, responsáveis por uma criança, ajudá-los a preparar a terra aonde tudo será plantado.

São eles que escolherão quais serão as árvores, que tipo de frutos, o aspecto do jardim, do pomar, nisso não podemos interferir. Mas podemos, através do exemplo, da verdade expressa nos cuidados, no amor, grave muitas vezes, prepararmos o solo, a boa terra que no tempo certo corresponderá o árduo trabalho do lavrador.

Enquanto isso, cuidemos de nossas crianças em nós mesmos, cuidemos do que temos nos tornado, sejamos humanos também por eles, para eles, em amor, para que nenhum dos filhos se esqueça de onde veio, para que, com o tempo, assim como nós, um dia descubram quem são. Esse é o mundo que estamos construindo. Nosso maior legado. Nosso caminho, e o deles também.

enfant-horizon

6 comentários sobre “Nosso caminho, e o deles também – Nossas crianças

  1. Anderson de Oliveira

    Bom dia Flávio e a todos os vagalumes!
    Nossos filhos são tesouros que temos que lapidá-los com : bons exemplos, boas ações, bons ensinamentos e claro com muito amor e carinho, pois acredito que estes são alguns dos princípios básicos para se formar um cidadão do BEM!
    Desejo um dia maravilhoso a todos de Paz e Bem !

  2. MP

    Flávio, aquela criança diante de tão gloriosa visão, nem assim deixa o virtual de lado…. eu estou complicando? Ou tão pequeno já pensa em compartilhar essa maravilha?
    MP

  3. MP

    Nossa Emanuel! Nunca vi uma descrição tão completa como essa, já havia escutado que somos apenas um grão de areia, mas você conseguiu a chave que abre a porta do Universo.
    “Todos somos apenas crianças vivendo em um grão de areia!”

    Parabéns se eu fosse alguém, lhe daria o prêmio Nobel da”Consciência”

    abraços
    MP

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