Aquietar-se é ser omisso?

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Flavio Siqueira, mas isso de silenciar e saber de si, dos seus processos e tudo mais, não é necessariamente ter uma atitude pacifista diante de tudo, é?!
Por exemplo, com o que está acontecendo na faixa de gaza, as pessoas estão sendo massacradas todo
s acham isso terrível, mas a ONU não intervém, e isso me lembra a guerra alemã… Não que eu ache que fazer mais guerras seja a forma de acabar com uma guerra já existente, mas me parece que não só numa situação tão conflitante, as vezes é necessário sair um pouco dessa norma de aguentar calado e deixar fluir de dentro de nós um sentimento mais cálido, como Jesus fez quando expulsou os vendilhões do templo ou amaldiçoou a figueira… Bem, não sei exatamente se esse foi o sentido do seu texto, mas foi o sentido que ficou latente pra mim, aquela visão de buda como iluminado. Poderia me ajudar, por favor?!”

 

– Essa é uma confusão muito frequente: Aquietar-se jamais será sinônimo de comodismo ou de omissão.

No primeiro caso a escolha é calar os ruídos que nos levam a tomar atitudes erradas, nos confundem, nos distraem.

Quem se aquieta ouve com mais clareza e discerne a hora de agir ou de calar, ir ou voltar. Como saber o caminho se você permanecer tomada por ruídos? No segundo caso, no comodismo e na omissão, há apenas respostas à mente, aos estímulos, a paralisação de um ser confuso.

É um engano associar quietude com omissão, assim como ilude-se quem vincula ação (seja ela qual for) com atitude. São coisas completamente diferentes

Ser consciente

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Ser consciente não é pensar que sabe o que é “certo ou errado”, isso não é um processo da consciência, mas da mente inquieta e moralista.  Ser consciente é, sobretudo, pacificar-se diante da vida, aquietar-se ao invés de gritar, parar, observar a si mesmo, discernir o que realmente merce estar ai. Esse é um processo pessoal, por isso não há fórmulas nem “manuais do ser consciente” a não ser a coragem para desconstruir-se, livrar-se das camadas sobressalentes, abrir mão de todos os excessos, esvaziar-se, até que sobre apenas consciência.

As resistências…

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Um “ser consciente” seja como for, esteja aonde estiver, falando a linguagem que melhor se expressa naquele momento, naquele tempo da história, naquele específico ambiente, encontrará resistência. Sempre.
Há um preço a pagar. Quem age por consciência, jamais se adequará, nem deve esperar pela aprovação da maioria. É por isso que tão poucos escolhem esse caminho.

Nossos mundos

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Nossas cidades abrigam milhares, milhões de mundos.

Elas refletem em suas curvas e contrastes, luzes e sombras, altos e baixos, nossas próprias mazelas interiores, nossos poços e nossos mares, nossos medos, erros e acertos, o que somos expresso em pequenas atitudes de solidariedade, de desapreço, em correria, pressa, desumanização vertical na mesma medida que deixamos de ser.

Nossas construções projetam no espaço o tamanho de nossa sede. Imagem do progresso, belezas da arquitetura que se estende sobre frágeis corpos apressados, estressados na eterna luta pela sobrevivência, fixados em miragens , desatentos… desalmados humanos.

A alma de cada cidade é a somatória das nossas almas. Nossa cultura, sociedade, planeta, apenas o reflexo de nossos mundos, de cada mundo, de cada mente.

Cercados por arranha-céus, sitiados pela massa, feitos anônimos pela multidão, sentindo-nos como peças sem importância, sem relevância, sem voz, cada individuo é um mundo e cada mundo um universo em potencial.

Seguimos o fluxo, cabisbaixos, atentos apenas as sombras que as luzes piscantes produzem com suas mensagens de consumo, trombando-nos, desviando dos vultos que cruzam nossos caminhos, sentindo-nos muitas vezes forasteiros, esquecendo-nos de quem somos.

Esses mundos que as cidades abrigam, essas almas que cada corpo carrega, que acordam todas as manhãs sem saber direito a razão, que chegam em casa todas as noites e dormem tentando entender os “por quês”, essa gente que segue com pressa e nem pensa para onde vai, que seguem a média, que aprovam a moda, que investem no medo, que habitam no mundo, talvez, se quiserem, despertarão e, como um piscar de olhos se enxergarão.

Verão o poder que lhes habita no contraste da fraqueza, a força que carregam nas dores de existir, a verdade que liberta, que conecta, que abre os olhos.

Cada mente que desperta dá a luz a um novo universo. Cada ser que se enxerga, cada humano que transcende a si mesmo e, como vagalumezinhos que brilham a noite, contagiam seu ambiente, influenciam sua geração, constroem seu próprio mundo que desfaz o cinza que nos habita e apaga a noite em nossa alma, esse olha para o mundo, a cidade em que vive, e apesar de forasteiro, brilha.

Você muda o mundo quando seu mundo muda em você.

A cidade continuará aonde está, e tudo como sempre foi, no entanto é o bom olhar que projeta no caos o equilíbrio e permite que um dia nossos mundos se cruzem, se abracem e completem, somando-se, crescendo na consciência de que uma mudança de olhar faz toda a diferença.

Nossas cidades abrigam milhares, milhões de mundos. Todos eles, vivem em sua mente.

Qual mundo você está criando?