Um encontro contigo essa noite

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Se puder ouça hoje (sábado 19/07) à noite, às 20hs, a reprise do programa Mensagens que chegam pela manhã apresentado por mim, falando sobre o texto publicado hoje aqui no blog “Livre Arbítrio”. O tema gerou muitas reflexões interessantes, tenho certeza que lhe despertará para insights preciosos. Caso esteja lendo essa mensagem depois da data, aproveite para acompanhar o programa ao vivo de segunda à sexta às 07h00 (aos sábados começa às 08h00) e as reprises todas às noites, às 20hs. Para ouvir a rádio basta acessar http://www.webradiovagalume.com Nos falamos lá!

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Existe live arbítrio?

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Um desses temas, sempre polêmico, é o tal do livre arbítrio. Se Deus existe e é todo poderoso somos joguete em suas mãos, pensam uns, Deus não existe, somos nós que determinamos absolutamente tudo e o imprevisto é apenas um evento mal calculado, pensam outros, há os que não podem negar o dado de que somos realmente conectados, de que um evento aqui interfere no acolá, um pensamento, um movimento, uma escolha de um desconhecido que seja, pode desencadear uma sucessão de outros acontecimentos aparentemente aleatórios que desembocarão em um evento maior, distante, relevante e estranhamente ligado a algo lá longe, seja no tempo, seja no espaço.

Na minha opinião uma coisa está ligada a outra.

Vou explicar melhor: Geralmente quando falamos a palavra “Deus” surge em nossa mente um arcabouço cultural nascido em tradições religiosas, familiares, ancestrais, teológicas, sistemáticas, dogmáticas, institucionais que variam em grau e densidade dependendo de seu histórico, mas, sendo um cara religioso ou ateu, crescendo em ambientes “sacros” ou não, carrega em sua mente doses de uma carga cultural pré concebida daquilo que, simplificadamente, chamamos de Deus.

O que estou dizendo é que a palavra “Deus” virou um símbolo que tende despertar na gente percepções, sentimentos, emoções e naturalmente pacotes de compreensão diretamente vinculados ao tal arcabouço cultural que me referi agora há pouco.

Quando um dado novo aparece, seja uma descoberta científica, uma inquietude pessoal, uma aparente contradição diante de um novo olhar, uma outra perspectiva, nossa primeira reação é o medo. “Você está questionando a soberania de Deus”, dizem os religiosos mais light enquanto os mais “hard” vociferam “Herege, herege!”, sem saber que tudo o que tentam fazer é defender-se, é rotular um “herege” para sentirem-se melhor, superiores, negando as angústias e dúvidas, talvez bem mais inquietantes do que essa.

Essa é uma das razões pela qual escrevi recentemente que, diante do atual estágio do que chamamos de cristianismo, ser chamado de herege me soa elogio.

Mas, afinal, somos nós que construímos nossos caminhos, dependemos de fato uns dos outros ou estamos expostos aos movimentos de (mau) humor divino?

Lá atrás eu disse que uma coisa está ligada a outra. Na verdade acredito que estamos todos conectados e, sendo assim, não há possibilidades de que o fato de eu estar sentado aqui diante do computador deixe de interferir no seu dia, já que está lendo.

A maneira como a resposta lhe afetará desencadeará novas percepções e, consequentemente comportamentos que certamente afetarão terceiros, em gente que se relaciona com você, em quartos que se relacionam com os terceiros e assim sucessivamente.

Tudo o que fazemos gera consequências, tudo o que pensamos interfere de um jeito ou outro e cada escolha reflete adiante, ainda que eu não tenha como mensurar a dimensão desses reflexos, mesmo que eu nunca possa imaginar até onde uma simples escolha refletirá.

Sabemos que somos conectados, temos consciência de que o olhar tem capacidade de modificar a matéria, de que nossas impressões e movimentos não se limitam a nossos passos e que uma coisa leva a outra que constrói uma outra que se transforma em algo que muito provavelmente nenhum dos envolvidos imaginou.

E o livre arbítrio? Você pergunta.

Ainda que nossos condicionamentos e limites muitas vezes nos impeça de enxergar nossas escolhas com clareza, cada um de nós pode escolher o que vai fazer com o que lhe acontece, onde vai mexer, o que vai aceitar, recusar ou recuar e, sobretudo, que tipo de significado emprestará a cada situação. Ai é que está.

Acontecimentos se repetem, se desdobram, atingem a coletividade muitas vezes mas nunca afetará duas pessoas da mesma maneira.

Pode ser um Tsunami, uma grave crise financeira em um continente inteiro, uma epidemia, não importa, o fato é que eu e você, afetados pelas mesmas consequências podemos escolher o que faremos com elas, que significado daremos e, a partir de então, como refletiremos daqui para frente, nos terceiros, quartos e quintos de nossa relação, aquilo que me atingiu.

Ainda não teremos controle sobre os desdobramentos futuros e a produção de nossas escolhas pode gerar acontecimentos inimagináveis, mas, ainda assim, o que vier estará exposto sob a luz da minha consciência, como quem aprende a enxergar em tudo uma grande oportunidade, ainda quem muitas vezes não consiga projetar significado imediatamente, mas apenas quando puder encaixar aquela experiências com outras que ainda estão a caminho (tudo está conectado).

Quando chego nesse ponto de percepção, o livre arbítrio imediatamente deixa de ser uma angústia. Não tenho controle sobre as coisas, mas sei que sou livre para significá-las e é isso que importa.

Dependendo de como eu chamar um acontecimento, de tragédia ou benção, lição ou castigo, acaso ou consequências, dependendo do que eu escolher fazer com aquilo, projetarei adiante, como uma nova referência, um outro ponto de partida, um re-gênesis de um fato, para uns ruins, para mim, quem sabe, uma grande oportunidade.

Os acontecimentos tem bem menos importância do que o significado que damos a eles. E isso não é divino?