Insight com Flavia Melissa

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Falar sobre espiritualidade pode ser perigoso para quem se esquece que é humano, que está exposto as armadilhas do ego e pode ser alvo da projeção de tanta gente inclinada a “divinizar” mensageiros. Nessa conversa Flavio Siqueira e Flavia Melissa falam sobre o que pensam e como lidam com isso.

Vagalumes

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Ser “vagalume” não é quem pensa ser dono da luz, o iluminado, o grande mestre a ser seguido. Esse intoxicou-se de si mesmo, filho do ego, cego guiando cegos.

Chamo de “vagalume” quem tem consciência que a luz que reflete, é reflexo do todo, de todos, de tudo, apesar de mim, ainda que nem sempre as coisas estejam tão claras. Quem entre nós chegará a algum lugar, sairá desse mundo de condicionamentos, sem que se exponha aos próprios labirintos? Quem disse que o caminho é reto e que nele não há dor?

Conviveremos com nossas dúvidas, experimentaremos a sensação de viver em um mundo que não é nosso, um eterno conflito entre o que nos habita e aonde habitamos, o que é e o que deveria ser, o quanto avançamos contrastando com lampejos de que ainda falta muito, que é preciso caminhar, que há algo em construção.

Nós estamos em construção.

Caso contrário não haveria nenhuma razão para experimentarmos a vida em um corpo finito, em um mundo afunilado por nossos próprios limites autoimpostos, nossos medos, nossas ganâncias, nossas culpas.

Sim, estamos em construção.

É por isso que às vezes o barulho da obra incomoda tanto, por isso demora, por isso dói. A questão é como experimentamos essa dor e o quanto somos capazes de projetar nela significado.

É isso que nos diferencia !

Não o esteriótipo de uma vida “iluminada”, um ser quase vegetal que está acima de tudo e de todos, pelo contrário, a chave de nosso despertar é justamente nossa capacidade de desenvolvermos nossa humanidade, de permanecermos sensíveis, de sabermos que nossa saudade de casa jamais será plenamente saciada enquanto não aprendermos a lidar com a relatividade, a nossa relatividade, aquilo que tanto nos incomoda.

Chegaremos em algum lugar no dia em que nos pacificarmos diante do caos, nos aquietarmos no meio da multidão, descansarmos mesmo quando tudo parece em desordem.

A paz mora dentro da gente. Tudo mora na gente. Tudo.

A consciência de que assim é nos direciona às escolhas corretas, ao caminho que de fato é o nosso. Portanto, ainda que tudo parece fora do lugar, ainda que você esteja repleto de dúvidas, de altos e baixos, ainda assim, alegre-se !

Ninguém disse que seria diferente e o caminho do despertar passa por aclives, declives, dia e noite, inverno e verão. Felizes os que atravessam as fases com serenidade e a certeza de que tudo o que vê, tudo o que sente, tudo o que hoje porventura lhe angustia, não passa de paisagens do caminho, o caminho que te leva de volta para casa. O caminho para construção de quem você é.