Dentro para fora

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Se não estivéssemos tão focados em nosso ego, tão preocupados com nossos desejos, tão fixados em ilusões, tão presos ao passado, ao futuro, tão distantes do presente, se simplesmente estivéssemos atentos ao universo, ao maravilhoso universo de vozes, movimentos, encaixes, sutilezas que nos apontam o caminho, estaríamos muito mais descansados e confiantes.
Andaríamos em paz independentemente dos cenários, certos de que o mundo de fora sempre responde ao mundo de dentro. Não é a angustia que produz paz, nem a inquietude geradora de descanso. É o contrário. É um coração em paz, uma mente tranquila, o caminhar consciente que aplaina o caminho e interfere no cenário turbulento. De dentro para fora, sempre.

Enxergar-se

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Já reparou em situações onde o que é bom, o que faz bem, o que gratifica, revela o pior de quem vê?

Muitos de nós, ainda que de maneira sutil, guarda um “justiceiro” no coração, aquele que mede se fulano merecia, se foi “bem feito” para sicrano, como se a medida que a vida tratou de si ou do outro fosse algo completamente equivocada.

É quando olho indignado para quem, apesar de ter caminhado menos, menor formação, menos “qualidades”, recebeu igual ou melhor “recompensa”. Isso não é justo! Fiz muito mais, sou muito melhor, o mundo não me entende! – resmungamos no íntimo.

Usamos uma lógica própria, linear, referenciada no limite de até onde posso enxergar. Esperamos que a vida nos trate a partir de critérios egoicos, quando na realidade nossa aritmética baseada em pseudo merecimento não tem a menor influência no resultado final. No fim das contas o sol brilha para todos e a chuva não poupa ninguém. Isso nos deixa indignados!

Esse não vê as bilhões de possibilidades a sua volta. Não percebe quando uma porta abriu ou que chegou o tempo de fechar a que estava aberta. Não consegue fazer conexões entre acontecimentos, não enxerga as sutilezas do caminho, não entende as assimetrias, os desvios, as curvas necessárias para continuarmos na rota.

Que tal começar a prestar atenção em como os acontecimentos se conectam? Perceber como as nuvens se dissolvem, as dores são temporárias, em como experimentamos sempre, não necessariamente o que achamos justo, mas absolutamente o que precisamos para que sejamos melhores, mais humanos, mais sensíveis, mais profundos.

Quem sabe o que é bom e o que é mau? Quem sabe onde esse ou aquele caminho terminará? Quem pode prever as conexões, hora “boas”, hora “más”, que sempre acabam desembocando em renovação, em experiência, em desconstruções, em rupturas, em crescimento?

Pare de olhar em volta e preste mais atenção em seu caminho. Deixe de se sentir afetado, injustiçado ou recompensado pelo que quer que seja, não barganhe com isso, apenas perceba, observe, concentre-se em onde tem andado, reconheça como tudo foi importante para que hoje você seja quem é, ainda que esteja em processo de transformação.

Crescendo na percepção de que meu caminho, contraditório muitas vezes, dolorido outras tantas, projeta lá fora o que me habita, renovando assim diariamente a oportunidade para que eu finalmente me enxergue.