A dimensão do não saber

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Tem tantas coisas que não sei. Na verdade basta um momento em silêncio, um tempo em contemplação, um instante de desobstrução interior para que não reste dúvidas: tudo o que chamamos de conhecimento, seja em que área for, não representa sequer um fragmento diante do que há para saber.

Conhecemos algumas regras básicas da natureza, entendemos um pouco de tecnologia, estudamos nossos filósofos, nossas teorias políticas, o corpo humano, teologias, avançamos em muitos aspectos, mas, nada disso, nenhum conhecimento intelectual nos satisfaz diante da constatação de que não sabemos quase nada.

Tem coisas que não sei e nem tento saber por uma razão: em certos casos a tentativa é um risco de tentar encaixar algo bem maior em uma coisa muito menor.

É tentar capturar o inefável e adaptá-lo ao intelecto, ao vocabulário a racionalidade que tem seus próprios limites. Há muitas outras formas de perceber a vida além de nossa capacidade cognitiva.

Não tento cavar uma explicação assim como procuro não projetar nenhuma expectativa que esteja além daquele momento, daquele tempo, daquela experiência e do significado que posso projetar aqui e agora.

Acho que é uma forma de permitir que nossa consciência se expanda e siga na direção que quiser, nos mostrando o que precisamos ver, ajudando a despertar um ser livre de condicionamentos, mas completamente aberto a todas as possibilidades anexadas a incrível dimensão do não saber.