Você é livre? – Insight

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Hoje comento no Insight esse trecho do livro O ÉDEN: “Uma das maiores dificuldades dos seres humanos é aceitar a liberdade. Mitas vezes preferem criar muletas, apoios e não sentirem a vertigem de quem de repente se vê livre. Muitas vezes é mais fácil criar amarras para alimentar a sensação de que tem onde se apoiar. Para andar em liberdade há necessidade que comecem a caminhar sozinhos, sem se escorar nas paredes.”

Apegados a perda

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Há pessoas que se agarram ao vazio da perda como se esse vazio pudesse substituir quem foi embora. É quase como um tipo de lealdade às avessas que faz o sofredor se sentir culpado por deixar de sofrer, apegando-se ao objeto do sofrimento como se dependesse disso.

Só para lembrar…

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Se estiver sofrendo, cumpra seu tempo de luto em paz. Só não esqueça que ele tem tempo para terminar e, se você quiser, sairá melhor do que entrou. Desapegue-se da sua dor para que ela não apodreça e te estrague junto.

Eu e minha chatice

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Hoje de manhã me diverti com uma curiosa pergunta feita com cuidado e carinho: “Querido Flavio Siqueira, vc é tão questionador em todos os aspectos e tão em paz em todos os aspectos…Já se sentiu chatinho?”

Pensei sobre isso e conclui que já. Nem tanto eu, mas tantos que convivi me taxaram assim. Nem sempre eles estavam errados. É mais fácil os outros perceberem nossa chatice do que nós mesmos reconhecermos.

Às vezes sinto que estou chato. Já consigo perceber quando algo me incomoda por pura implicância, quando o mau humor não tem causa objetiva, quando é melhor eu ficar no meu canto, quieto com meus resmungos interiores. Sim, às vezes me sinto chatinho.

Mas você tem razão quando diz que estou em paz. Aprendi a ter paz com minha chatice, especialmente por não ter nenhuma pretensão de perdê-la. É preciso um pouco de chatice para recusar formas, para posicionar-se “contra a maré”, para sustentar um ponto de vista que acredita diante de uma multidão contrariada, para caminhar no anti fluxo. Nesse caso, ser “chato” é quase inevitável.

O desafio é que a “chatice” não vire dogma. É preciso ser um “chato equilibrado”. Reconhecer quando a chatice é necessária ao mesmo tempo em que abre mão de ser dono da razão, de tentar impor seu ponto de vista, de entrar em discussões. É preciso subjugar a chatice ao amor.

É isso que nos pacifica e promove a consciência de quando a chatice é necessária e de quando é só chatice mesmo. É importante não confundir uma coisa com a outra. Quando for necessária, iluminamos nosso posicionamento em amor, que nos dá condição para agirmos com humildade e respeito.

Quando for apenas chatice, aquele mau humor implicante que às vezes todos sentimos, identificaremos com imparcialidade suficiente para reconhecermos que não é o outro, nem a situação específica, mas somos nós, tentando de alguma maneira projetar nosso ego. Nesse caso melhor ficar quieto no canto esperando que passe.

É preciso lembrar que, independente de qualquer coisa, “enxergar” no mundo cheio de cegos pode ser mal interpretado. Ter opinião em tempos “politicamente corretos”, pode parecer chatice. Questionar, refletir, provocar desconstruções é ameaçador para muita gente que, ao invés de parar e pensar, prefere dizer “é um chato!”. Para esses é menos ameaçador deslocar o foco de si mesmo, evitar perceber-se e projetar na chatice alheia o que não quer encarar.

Só que isso não pode ser argumento para que eu seja um chato, muito menos um chato que não reconhece sua chatice. Enxergar-se implica coragem de expor nossa humanidade, inclusive nossos “defeitos”, sem negá-los, muito menos justificá-los, mas livres para expor o que somos sob a luz da consciência do amor. É isso que nos dá equilíbrio para evoluirmos e ficarmos em paz. Cuidemos do que estamos nos transformando e aquietemo-nos. Fique bem.