Espiritualidade, sabedoria, conhecimento…Para que?

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Você que hoje me lê. Você e seus pensamentos elevados, sua busca por uma espiritualidade sadia, por conhecimento, por movimentos que lhe desloquem da homogeneidade da massa e lhe garanta identidade, que dissolva dogmas tão arraigados, tão enraizados, tão presentes no olhar da maioria e lhe abra a mente, os olhos, o coração.

Talvez sua busca seja em outra direção. Vá pelos caminhos da intelectualidade, no desenvolver de uma percepção crítica em relação a nossa cegueira, nossas celebrações hedonistas e vazias, nossa falta de questionamento, de direção. Olhamos para determinado recorte social, determinado comportamento, determinados caminhos e nos desviamos, exatamente como fazemos com os caminhantes que estão lá, ignorantes, vazios, inferiorizados.

Nós, em contrapartida, “iluminados”, “sábios”, portadores de verdades que a maioria não tem acesso, conhecedores de processos que, coitados, os “pobres mortais”, aqueles que assistem a novela ou a dança dos famosos, não tem.

Façamos algo- pensamos piedosamente- afinal, o que será do mundo se minha luz não brilhar? – concluímos sem nenhuma modéstia. Até que a vida muda, até que os cenários se alterem, até sermos de fato confrontados com nossas verdades e, finalmente, sem máscaras, admitirmos que, sem amor, qualquer distância percorrida, qualquer iluminação, qualquer conhecimento, qualquer intelectualidade, espiritualidade, sabedoria, inteligência, discernimento, diferenciação, trabalhará contra nós e nos distanciará de casa, da nossa essência, da simplicidade que nos vincula ao próximo e desenvolve todos os dias a capacidade de amar.

Talvez você se incomode com o tema desse INSIGHT, talvez ele mexa com você, questione, inquiete e abra caminhos interiores fechados, intoxicados pelo que não queremos enxergar. Se for assim, terei atingido meu objetivo.

Quando tudo faz sentido

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Somente quem já sofreu algum tipo de injustiça na pele, quem já se sentiu indignado por ter vivido algo que não merecia, sabe o valor da justiça.

Quem nunca experimentou a escassez, terá serias dificuldades em reconhecer o significado de ser prospero.

Aqueles que nunca perderem ninguém, que nunca sentiram saudade, precisarão de mais tempo para entenderem o real valor da presença.

É como quem sai de um lugar barulhento e encontra o silêncio, como quem, depois de tanto tempo no escuro, encontra luz, como estar com muita sede e beber um copo com água gelada.

Você não valorizaria a paz se jamais tivesse caminhando em dias de angústia, nem saberia o que é o calor se não conhecesse o frio, “alívio” seria apenas uma palavra se não estivesse vinculado à dor que um dia sentiu.

Sem o pesadelo da madrugada, a sensação de estar perdido, como quem entra em um labirinto, se desespera e depois de muito tempo é encontrado, sem isso, acredite; nunca entenderia o que significa ser acolhido.

Já foi abraçado depois de chorar muito? Já ouviu alguém dizer “estou aqui” depois de pensar que não havia mais ninguém? Já encontrou um rosto amigo no meio de uma multidão de desconhecidos? Então você sabe sobre o que falo.

Se sabe sobre o que falo, não preciso me alongar, mas apenas lembrar que estamos crescendo. Que as dores de hoje apontam para o amor, para a expansão de consciência, para o entendimento de que nada é para o mal. Nada.

Daqui a pouco você compreende que uma coisa está ligada à outra, que no fim das contas tudo faz parte de uma coisa só, que o “bem” e o “mal” de cada evento se vincula ao olhar de cada um, especialmente aquilo que cresce dentro da gente como verdade, como enraizamento, como estatura existencial.

Fique em paz. Não há necessidade de desesperar-se. A não ser que o desespero seja apenas um caminho que desemboque no reconhecimento da paz que dá sentido a todas as coisas, que nos acolhe, nos ilumina a consciência de que cada experiência é uma grande oportunidade.

Pense nisso. Fique bem!