Trocando o medo pelo amor

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O medo está presente em nosso dia a dia a tal ponto que acaba sendo o chão de muitas escolhas que fazemos sem perceber. Aproveite o descanso da noite e dedique 9 minutos para refletirmos sobre o assunto.

Sejamos humanos

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Uma das coisas mais lindas dos humanos não é a capacidade de lutar, de estar forte sempre, de resistir, de ser fortalezas ambulantes. Não é aí que mora nossa força.
Nossa beleza está em nossa relatividade, na fraqueza que amanhã se transcende, no choro que, sim, pode acontecer e, quando passa, lava a alma, na dor que nos deixa mais fortes, na capacidade de reconhecer sem medo, sem culpa, sem remorso, nossa humanidade, e então transcendermos. Sejamos humanos.

No caminho

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Certa vez em um dos encontros, uma querida amiga descreveu uma cena fantástica. Ela dizia mais ou menos assim:

“Sai de casa para conhecer um templo budista e meditar. Fui com dois sobrinhos pequenos e ao chegar no local logo se maravilharam com a beleza dos jardins, o silêncio, o encanto natural daquele lugar. Isso os deixou empolgados e começaram a apontar agitados para tudo o que viam. Eu, preocupada em não atrapalhar a meditação dos monges, tentava contê-los em vão, até que comecei a reparar no que eles mostravam e isso me empolgou também. Agora não eram só os sobrinhos, era eu também. As árvores bem cuidadas, os jardins, que lindos! Olha aqueles pássaros e aquele rio com carpas! Que maravilha de natureza, que lindo! Diante de nossa empolgação resolvi sair para não atrapalhar e foi ai que me dei conta. Não foram os monges, nem a meditação que me dispus a fazer, mas as crianças e a beleza do local que me preencheram de felicidade, paz e gratidão e me fizeram sair de lá com bem mais do que pensei que tinha ido buscar. Eu só precisei enxergar o que já estava em minha volta e refletiu dentro de mim.”

Gosto desse exemplo porque ele deixa claro algo muito simples. Nós vivemos angustiados em busca de algo que já é. Nós saímos de casa e vamos à algum lugar meditar ou criamos um ambiente, fazemos rituais para nossas orações, para práticas de fé, quaisquer que sejam, sem nos darmos conta que a verdadeira meditação, a oração que vale, a fé que faz bem é aquela que existe em nós como estado de espírito.

Note que não estou criticando o ritual, até porque eles podem ser úteis muitas vezes.

O que estou querendo dizer é que de nada valerá nenhuma prática se ela não for a exteriorização de algo que já é dentro da gente.

Mas por que não consigo sentir isso sempre? Por que tantos altos e baixos? Como me manter nesse estado de espirito que você descreve? – são as perguntas que mais chegam.

Ora, primeiro entenda que os altos e baixos fazem parte da construção da alma. Sem isso seriamos seres completamente entorpecidos e frágeis. Nem todos os dias serão fáceis, nem sempre estaremos felizes, nem tudo será com esperamos, haverá perdas, haverá desgastes, haverá dor enquanto estivermos aqui, mas a ideia é que passemos por tudo sem perder a paz e a paz é uma construção que acontece no caminho, só no caminho.

Portanto, se hoje está difícil, caminhe, se dói, caminhe, se está cansado, caminhe, porque no caminho você entenderá. Pode ser que esteja caminhando pensando em atingir uma meta, buscar algo específico aqui ou ali, mas, se estiver atento, se encantará com o rio de carpas, as árvores, o belo jardim que aparecerá enquanto caminha e, surpreendentemente, encontrará a paz e o equilíbrio que já mora em você.

Entenda que a vida não é construída por aquilo que queremos, por nossas vaidades e vontades fúteis, desnecessárias tantas vezes, mas pelo que precisamos, pelo que nos torna mais sólidos, mais humanos, mais sensíveis a experiência do amor. Sim, dói muitas vezes, ninguém disse que seria fácil, mas, esteja aberto, afinal, a beleza e a paz que procura podem estar bem mais perto do que imagina, a um passo, no caminho.