Aonde cabemos

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Tenho uma frase em um dos meus textos que sugere ”antes de encontrar a pessoa certa, encontre-se, para não sobrecarregá-la com a responsabilidade de te fazer feliz”.

Nenhum homem, ou mulher, ou quem quer que seja, aguenta essa sobrecarga. É natural. Nem pai, nem mãe, ninguém.

Ser feliz é responsabilidade de cada um, mas nunca entenderemos isso, nunca seremos felizes, nunca encontraremos o que estamos procurando, parece que tudo continuará eternamente vazio enquanto projetarmos em alguém, em algo ou em qualquer coisa que estiver fora da gente.

Continuaremos cativos das emoções, hora radiantes, felizes, apaixonados, hora deprimidos, desesperançosos, autovitimizados, como se não houvesse lugar para gente nesse mundo.

Nosso lugar nesse mundo é o único onde cabe o mundo inteiro, nossa interioridade.

A felicidade passou?

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Você pensa que o tempo da felicidade passou. Passou a vida, passou o amor, passou…

Mas eu digo que não. Se tivesse passado não faria falta, não precisaríamos, não doeria. O problema é que construímos muros, labirintos, barreiras cimentadas pelo sentimento de que as coisas são assim mesmo, que não há caminhos, que tudo passou.

Não passou e o retorno ao que é, a percepção sobre quem somos, é um caminho de desconstruções aonde preciso quebrar muros, vencer obstáculos, enxergar o que foi escurecido por nossas crenças, nossas escolhas, nossas culpas, nossa distração.

Tudo o que você sente falta, tudo o que você precisa, tudo o que realmente importa, mora dentro de você e, acredite, não passou. Não vai passar.

Esse movimento de resgate pode ser lento, muitas vezes dolorido, é um processo, um caminho que a gente vence todos os dias, recuperando a sensibilidade de perceber, identificando a eloquência dos sinais cotidianos, vinculando-nos, humanizando nossas escolhas, refletindo sobre a razão de nossos por quês e porquês, de nossos relacionamentos, de nossas crenças.

Estamos caminhando e o simples fato de alimentar essas percepções já indica um movimento de desconstrução que pode estar apenas no início, mas que nunca para no meio. Acredite, não passou.

Então pode vir a dúvida: “Significa que estamos em uma busca eterna? Não temos descanso, não existe parada? Então posso dizer que somos infinito. Infinito na busca, abundantes em esperança, imaginar e sentir aquilo que não podemos materializar?”

Preste atenção: O que define o descanso não é o fato de estar ou não buscando. É a qualidade da busca, a entrega a ela, a capacidade de enxergar, mesmo enquanto busca, espaços para descansar, afinal, nessa busca há encontros, há respostas, há paz.

Quanto mais percebo, mais paz.

Falo sobre um processo de evolução na vida que se movimenta, nada é estático, nada é linear, há variação de estações, fases, mudanças, redirecionamento de olhar, reposicionamento de cenários, quebras de paradigmas enraizados. Isso não pára.

Existe uma gigantesca diferença entre o buscador angustiado, aquele que se esforça para preencher vazios e distrair a mente, e o que já preencheu o que precisava e esvaziou o que sobrecarregava, mas entende que é preciso continuar, que há espaços crescendo dentro de si mesmo, que há para onde ir, mais para entender, mais para perceber, crescer, transcender, corrigir.

Ao “chegar lá” você aprende que os lugares não são definitivos, nem representam pontos finais. Cada lugar é um ponto de partida, estamos indo para o próximo lugar e, assim, caminhando, em paz, crescemos e aprendemos a amar.