Sobre nossa liberdade para ser/amar

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“…Esse sentimento de que a vida não é só isso, de que fazer parte daquela massa de gente não constitui nosso objetivo de vida, de que não é para isso que vivemos e o quanto devemos desenvolver uma percepção além do que a maioria conclui como realidade, como ideal.

Isso nos movimenta para uma condição muitas vezes incômoda, de se sentir diferente, de ter dificuldade em encontrar pessoas com percepções semelhantes, até porque existe um movimento natural de todo grupo, de toda massa de repelir aquele que não se encaixa, que critica, que enxerga.

Para não ser repelido e taxado de louco, na família, no trabalho, no grupo que você frequenta o movimento natural acaba sendo se inquietar, engolir tudo aquilo e se adaptar de alguma maneira…” – trecho do vídeo abaixo

Dê o nome que quiser

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Não sou de nenhuma religião, não sigo um líder, nenhum mestre, nenhuma técnica específica. Não acho que essa ou aquela agremiação seja melhor do que a outra. Não gosto de rituais, padronização de mentes, comportamentos, nem dogmas de nenhuma natureza.

Não tento convencer ninguém de nada e muito menos insinuar que sei mais do que você. Não quero que me chamem de “mestre”, “guru” e não faço a menor questão de parecer “iluminado”, que me imitem, que me sigam, pelo contrário, minha “força” se perderá por completo no dia em que pensar que sou forte.

Tudo o que quero é enxergar e , apesar de todas as minhas ambiguidades, compartilhar com gente como eu, como você, que tenta, aprende, erra, cresce e vê.

Sou humano e admiro quem não perdeu a condição de assumir-se humano, que não tenta parecer o que não é, que entendeu que não se desenvolve espiritualidade sem desenvolver-se como gente, incluindo a aceitação de que não somos perfeitos, que falhamos e alguns dias parecem mais difíceis do que outros.

No fim, isso é o que importa: Nossa capacidade de enxergarmos o amor e nos incluirmos nele de mente e espírito abertos, sabendo que o pouco que somos só fará sentido se for em direção à consciência que naturalmente nos conduzirá ao amor.

Não esse amorzinho que conhecemos, rotulamos e muitas vezes usamos para nos esconder, mas a plenitude de amar em consciência, abrangência e simplicidade.

Esse é meu caminho, minha meta, minha fé. Dê a isso o nome que quiser.

Flavio, você não respondeu meu e-mail !

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Leitora: “Flavio, te escrevi várias vezes e fui ignorada, quero saber se to lidando com alguem real ou só uma imagem projetada pras pessoas
desculpe a sinceridade, mas to querendo remover da minha vda qqr ilusao”

Flavio: “……me perdoe, não, você não foi ignorada. Vou te explicar: recebo diariamente centenas de mensagens e por algum tempo tentei responder todas.

Como você pode imaginar ficou difícil e acabei seguindo o que aconselho a muitos: me aquietei diante dessa inquietude, parei de me culpar e passei a fazer o que humanamente fosse possível.

Com isso acontece (como foi seu caso) de eu ler uma mensagem muito tempo depois que ela foi enviada e, nesse caso, sinto que o tempo já encaminhou os processos, que o quadro mudou e que minha intervenção apenas atrapalharia.

As não respostas muitas vezes trabalham com muita eloquência.

Além disso, parto da ideia que meus textos podem ser interpretados sob várias perspectivas e certamente se aplicam a casos diferentes, por isso, acredito que posso ser muito mais útil me concentrando neles do que permanecendo na improdutiva tarefa de responder todas as questões que me chegam e vão desde “que vestibular você acha que devo prestar?” até casos realmente sérios e difíceis.

Todos os dias respondo a muita gente, faço questão de manter esse contato, mas, sou humano, faço o que posso, ainda que meu limite seja evidente. Beijo, não fique triste comigo, fique bem !

Nosso sistema

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Todos nós somos de alguma maneira influenciados pela cultura que nos cerca.

A questão é em que ponto temos consciência disso.

Fazemos parte de uma cultura, convivemos em sociedade e estamos muito mais impregnados de conceitos deturpados do que nossa vã filosofia pode supor.

Portanto, a questão não é se já “deixamos nos levar pelo sistema”, mas qual o nível de nossas concessões.

Quanto mais consciente estiver, melhor será, mais inofensivo serão seus movimentos, menos deletérias as escolhas.

E o que eu chamo de consciência nesse caso? Tem a ver com a capacidade de revisar-se, questionar a natureza de suas escolhas, enxergar as raízes de suas motivações, de seus medos, se suas metas.

Estamos expostos constantemente a um ritmo que dificulta a reflexão, que estimula o impulso, o comportamento de manada.

É preciso reavaliar-se constantemente, inclusive em relação a própria negação ideológica do tipo de vida da sociedade, afinal, todo combate ideológico corre o risco de se tornar uma especie de adesão ao contrário, um tema recorrente que impregnará sua mente e lhe roubará a paz.

Que a paz seja seu árbitro e o amor o foco.

Estamos falando de um processo que perdurará uma vida inteira.

Não nos livraremos do sistema, a vida aqui é assim, no entanto, faz uma incrível diferença quando nossas escolhas cotidianas impedem que o sistema onde habitamos passe a habitar em nós.

Caminhar com olhos abertos, serenos, conscientes de nossa relatividade, porém atentos aos pequenos sinais do cotidiano, nos manterá saudáveis e pacificados.