Não atrapalhe

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Na maioria da maioria das vezes nossas intervenções atrapalham. Elas carregam angústias e inquietudes em processos que se resolveriam com naturalidade se você soubesse esperar, se não se autossabotasse, se ao menos tentasse se aquietar, parar, respirar, acalmar e finalmente enxergar que em tudo há oportunidades, que nada pode nos fazer mal a não ser que concedamos, que a maior parte da energia que despendemos na vida poderia ser poupada se tivéssemos clareza desse fluxo organizador, presente em tudo.

Impulsionados pela consciencia

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O que nos impulsiona não é a busca, mas a consciência.

Sem ela estamos expostos a qualquer direcionamento, especialmente daqueles que sabem que, ao invés da consciência, somos facilmente manipulados por nossos desejos, nossos medos, nossas culpas.

Enquanto vivemos distraidamente, adormecidos, entorpecidos, não percebemos a quantidade de gatilhos implantados em nossas almas. Eles são disparados pela industria do consumo, do entretenimento, dos medicamentos, pela política, pela religião, ou todo aquele que se beneficia em estimular nosso medo, oferecendo saídas que nos aprisionarão cada vez mais, mais dependentes, mais sequestrados, mais perdidos, mais amedrontados.

Por medo, por comodismo, aceitamos seguir na procissão, sedentos, cansados, na busca do lago apesar do rio que já está no caminho. Simplesmente não enxergamos.
Nossos desejos nos projetam para o futuro, nossas culpas nos amarram no passado até que nos desloquemos por completo da dimensão onde a busca acontece em consciência, o hoje.

Repare na sede natural de cada humano, nossa necessidade de transcendência, nossa perplexidade diante da vida, do cosmos, da existência, do invisível, do eterno. Sim, essa é a centelha que nos desperta, gerando um desconforto diante da tendência da maioria de legitimar-se pela média, de projetar-se nos grupos, diminuindo, colocando-se do tamanho dos seus desejos, pequenos, vazios, cegos, eternos buscadores que jamais encontram descanso.

Esse deve ser nosso ponto de partida, quando, a partir dos movimentos interiores mais básicos, mais essenciais, percebemos que há um caminho pela frente, há o que se buscar, há mistério, há transcendência, há vida, há Deus dentro da gente, não fora, nem lá ou no outro, no “mestre”, no “ser iluminado”, mas em mim.

Deixamos de buscar a “satisfação” ou a “justificativa” fora, deixamos de responder apenas a estímulos, ordens de comando, gatilhos disparados em nome do desejo, ou do medo, ou da culpa e, conscientes, atentos, sem medo, sem angústia, sem pressa, simplesmente caminhamos, não como quem busca eternamente no escuro, mas como quem já encontrou e, exatamente por isso segue a caminhada, atento, presente, no agora, em paz.

Não são nossas buscas que nos impulsionam. Elas servem apenas no primeiro momento, mas, eternizadas, podem justamente nos prender, nos deixar vulneráveis.

O que nos impulsiona é nossa consciência, é a luz acesa, é a paz de quem já entendeu que não há nada lá na frente, nada lá fora e que minha melhor busca se resume em acordar e enxergar aqui dentro o rio, o caminho, as respostas.