Algumas perguntas desconfortáveis

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Você que acorda cedo e sai para o trabalho. Se inquieta com seu salário e os rumos da economia ou das próximas eleições. Que paga seu plano de saúde, o seguro do carro e o de vida. Lê seus jornais pela manhã e, no fim do dia, assiste aos tele jornais antes de descansar. Você que está atento e informado sobre os rumos da tecnologia e não perde uma oportunidade de comprar a mais recente novidade.

Talvez você se considere um ser espiritual, evoluído ou simplesmente em dia com suas obrigações religiosas, afinal acredita em Deus e respeita o próximo. Está em dia com seus impostos, certo ? Não compra produtos piratas, não suja as ruas e segue todas as campanhas politicamente corretas.

Você que se diverte e investe em lazer, viaja sempre que dá, assiste aos seus programa de televisão e tem suas próprias opiniões em relação a política, futebol e o comportamento da sociedade.

Você que vive sua vidinha normal, sem excessos, seguindo o fluxo do que a média aceita, tolera e considera saudável.

E se você estiver preso em uma caverna sem saber ?

E se o que você estiver vendo são apenas reflexos ?

E se o caminho da média – estrada para a mediocridade – for o único caminho que você trilha ?

E se um dia você entender que sua vidinha é uma jaula de conforto e, de repente, se sentir a um passo da liberdade ?

Já pensou se – ainda que você não queira – uma curva inesperada em seu caminho colocar sua vida de pernas para o ar e, em questão de segundos, tudo o que parecia estável e encaixado perder completamente o sentido ?

E se não for mais possível fingir que não vê ? Que não sente ? Que não quer ?

Que tipo de sentimento terá quando, não mais o piso fechado, gelado, estável e seguro da jaula estiver diante dos seus pés, mas a grama, a terra e o sol ?

Ou será que você realmente acredita que esse teu comodismo existencial que lhe dá sensação de conformo e segurança justifica sua existência? Ou será que você realmente acredita que estará para sempre no controle e o que hoje lhe parece insondável, permanecerá escondido eternamente ?

Acredita mesmo que sua saúde, seu dinheiro, seus argumentos, sua aparência, sua articulação, sua influência, sua sanidade nunca terminarão?

Tem absoluta certeza de que aquilo que você tanto almeja e chama de poder, conquista, metas ou vitórias, lhe conduzirá para fora da jaula?

Como será o dia em que a jaula se abrir e você olhar para a luz do sol?

Quando perceberá que tudo o que precisamos é nos expor a sua luz e simplesmente despertarmos para um fluxo maior, para o que de fato da sentido a vida ?

Até que ponto lhe parece plausível que nada lá fora fará sentido, se não for iluminado pelo sol ? O sol que brilha do lado de dentro e reflete lá fora, que irradia em tudo a vida que somos, que fazemos, que alimentamos, que nos dedicamos, que cultivamos em nossa interioridade.

Permanecer na confortável jaula é mais fácil, pode durar muito tempo, mas um dia você terá de sair, confrontar-se, enxergar-se, reconhecer o que fez com sua vida. Até quando?

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Um comentário sobre “Algumas perguntas desconfortáveis

  1. Arnaldo

    Olá Flávio, mais um texto fantástico. Mas suponha que há anos um buscador iniciou sua jornada um pouco consciente dela, sem na realidade saber o que buscava, e num dado momento crucial ele decidiu ir além do óbvio e com ajuda descobriu que até mesmo a ideia de Deus, mundos, dimensões, evolução, tudo ainda fazia parte de uma caverna ainda maior, e atingir a iluminação não é resultado de uma conquista, não pode ser forjada, como foi dito, buscava o bem estar não a Verdade. Neste exato momento do assustador deslumbre, a vida perdeu o sentido, mas sem sentido ainda era continuar – como pudesse acreditar que continuando mergulharia num vazio, num segundo acreditava que estava próximo, que dependeria dele a decisão, neste instante foge mais confuso, desorientado, perdido, assustado, desolado, e se pergunta, e agora? Preciso que me lancem de volta a Matrix sem lembrar deste momento, chegou a pensar, mas no fundo não tem como deixar de reconhecer que agora se sabe o que a Verdade não é. O mundo não é mais o mesmo, vive dia-a-dia na esperança de ser lançado a uma nova fase, algum estágio que possa dar algum sentido, significo a sua vidinha normal…

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