Menos complexidade, mais simplicidade

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Se abríssemos mão das complexidades, do que parece inacessível, inalcançável, intocável.

Se parássemos de nos diferenciar, como se uns merecessem, outros não, uns valessem a pena, outros não, como se houvesse privilegiados pelo universo com livre acesso a mistérios que os “outros” jamais pudessem ver.

Se não nos impressionássemos com os “grandes”, os que que aparentam superioridade e nos concentrássemos no simples, no agora, atentos para os pequenos e abundantes sinais do dia a dia, entenderíamos. Saberíamos que a dor é desnecessária na maioria das vezes.

Teríamos mais clareza do nível de nossa autossabotagem, do quanto perdermos oportunidades, das vezes que nos imputamos sobrecargas sem a menor necessidade.

Se fosse assim, alimentaríamos menos ambições vazias, menos expostos a sequestros de mente, de alma, de energia, viveríamos uma vida com mais significado, valorizando quem e o que realmente importa.

Seriamos mais tolerantes, mais inclusivos, mais sensíveis às necessidades do próximo.

Se abríssemos mão da necessidade de provar que somos o que não somos, então, provaremos nossa própria porção, tudo será mais simples, labirintos desfeitos, problemas resolvidos, coragem para ser o que somos, para finalmente vivermos em paz, hoje, agora, sempre.

Juízo de contradições

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As coisas são o que são, as pessoas convivem com suas escolhas e sofrem interferências de escolhas alheias, mas o grande erro reside em tentar anexar juízo quando tenta interpretar uma história, ou na tentativa de explicar determinada fatalidade, desconsiderar que você nunca entenderá a razão de possíveis contradições simplesmente porque elas não se aplicam a você.

Cada humano é um mundo e só ele poderá dar significado ao que lhe acontece, seja a criança que nasceu doente ou a sã.

Seja o pobre ou o rico.

Aquele que convive com ótimas oportunidades ou a pessoa que nunca entrou em uma escola. Olhar para eles e tentar interpretar cada contradição a partir de você é completamente diferente de saber que cada contradição só passa a fazer sentido a partir do olhar de seus protagonistas.

Esse, mesmo que não veja, está diante da contradição que carrega em si inúmeras possibilidades únicas e específicas. Livro O ÉDEN

Tudo o que precisamos

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Tenho aprendido que tudo o que precisamos está a nosso alcance.

Na verdade nem sempre temos o que gostaríamos. Nem sempre o sonho casa com o real e, as vezes, os fatos contrariam os projetos. Mas é assim : Espantosamente tudo o que preciso me ronda, me cerca, me alcança, me invade.

Não tenho a menor ideia de quantas vezes fugi.

Já rejeitei remédios, joguei fora acontecimentos que, apesar da dor, só me fariam bem. Fugi da cura, viciado na dor, reincidente nos erros, nos tombos, nas culpas, para depois olhar dizer “a vida é injusta!”.

Corremos atrás do que nos parece perfeito, almejamos o ideal, nos focamos até que o tempo, felizmente, insista em mostrar que há outros caminhos, mais simples, mais verdadeiros, mais coerentes com o que estamos nos tornando de dentro para fora.

Provavelmente, se fossemos roteiristas dos nossos dias, escolhessemos cada cena, definíssemos cada papel, cada trama, cada desfecho, certamente teríamos pulado muitos capítulos, especialmente os que contribuíram para que fossemos mais experientes, maduros, pacificados.

Nos negaríamos a acrescentar momentos difíceis em nossas histórias sem pensar que eles nos trariam até o nível de consciência de quem entende que tudo o que preciso está aqui. Tudo.

As dores e alívios, sonhos e os pesadelos, o que chamo de bem e de mal, a química que me possibilidade crescer, me compõe e, no fim das contas, melhoro.

É isso que me constrói. Só preciso enxergar e entender os sinais.

Estão todos aí. Só precisamos ver.