Implicações do amor

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Amar, muitas vezes, implica em ser duro, em agir contra nossas vontades, nossas lógicas apequenadas, em aprendermos a dizer não, usar gravidade, sustentar posições desconfortáveis muitas vezes.

É agir a partir da consciência, não do coração. Geralmente as pessoas se enganam achando que o amor é fruto do coração. O coração é enganoso, o amor não é. O amor é fruto da consciência.

Muitas vezes confundimos aquele que ama com aquele que é simplesmente “bonzinho”, sendo que uma coisa não tem absolutamente nada a ver com a outra. O bonzinho legitima o mal, ainda que no discurso se posicione contra, ainda que sofra, ainda que se incomode, ainda que queria muito ver uma situação mudada, ainda que esteja entupido de boas intenções.

Quem ama deve estar pronto para promover rupturas, doidas na maioria das vezes, mas conscientes de que é o preço a ser pago, o caminho necessário que promova consciência, desbloqueio, quebras de comportamentos de autossabotagem, de auto destruição. Contra isso, só o amor. O amor de verdade. O amor que sabe fazer escolhas.

Mensagens que chegam pela manhã

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Gente, acabei de enviar à quem comprou meu novo livro, Mensagens que chegam pela manhã, pela pré-venda em www.lojadoflaviosiqueira.com o projeto da capa. Ficou linda! Aliás, eles serão os primeiros a saber das novidades bem como os primeiros a receberem o livro. O nascimento de um livro é sempre razão de alegria e, poder compartilhá-lo, um privilégio pra mim.

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Quem perdoa?

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Perdoar é difícil porque não pressupõe reciprocidade, tampouco deve se vincular a escancaradas ou tímidas demonstrações de arrependimento justamente por uma razão: Não perdoo para o outro, mas para mim. 

É o perdão que me liberta do corrosivo sentimento de ter sido injustiçado, vítima de qualquer coisa, ainda que de fato eu tenha sido ofendido. Estou falando sobre um passo além, sobre uma perspectiva acima, sobre um olhar que transcende e não pode se condicionar a nenhum tipo de expectativa, deixando-se sequestrar na dependência de que, antes que eu perdoe, o outro me peça perdão. 

Arrepender-se, pedir perdão, tomar consciência da ofensa é importante para o ofensor, isso o libertará do peso do ato, ainda que porventura tenha que pagar pelo que fez, no entanto, meu perdão só será genuíno se, quando o arrependido chegar, antes mesmo, ele já estiver perdoado por mim. 

Não é fácil e, talvez por isso, seja um exercício tão profundo e tão pouco praticado. Experimente ! 

Existe o “livre arbítrio”? O que é isso?

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Um desses temas, sempre polêmico, é o tal do livre arbítrio. Se Deus existe e é todo poderoso somos joguete em suas mãos, pensam uns, Deus não existe, somos nós que determinamos absolutamente tudo e o imprevisto é apenas um evento mal calculado, pensam outros, há os que, como você, não podem negar o dado de que somos realmente conectados, de que um evento aqui interfere no acolá, um pensamento, um movimento, uma escolha de um desconhecido que seja, pode desencadear uma sucessão de outros acontecimentos aparentemente aleatórios que desembocarão em um evento maior, distante, relevante e estranhamente ligado a algo lá longe, seja no tempo, seja no espaço.

Na minha opinião uma coisa está ligada a outra.

Vou explicar melhor: Geralmente quando falamos a palavra “Deus” surge em nossa mente um arcabouço cultural nascido em tradições religiosas, familiares, ancestrais, teológicas, sistemáticas, dogmáticas, institucionais que variam em grau e densidade dependendo de seu histórico, mas, sendo um cara religioso ou ateu, crescendo em ambientes “sacros” ou não, carrega em sua mente doses de uma carga cultural pré concebida daquilo que, simplificadamente, chamamos de Deus.

O que estou dizendo é que a palavra “Deus” virou um símbolo que tende despertar na gente percepções, sentimentos, emoções e naturalmente pacotes de compreensão diretamente vinculados ao tal arcabouço cultural que me referi agora a pouco.

Quando um dado novo aparece, seja uma descoberta científica, uma inquietude pessoal, uma aparente contradição diante de um novo olhar, uma outra perspectiva, nossa primeira reação é o medo. “Você está questionando a soberania de Deus”, dizem os religiosos mais light enquanto os mais “hard” vociferam “Herege, herege!”, sem saber que tudo o que tentam fazer é defender-se, é rotular um “herege” para sentirem-se melhor, superiores, negando as angústias e dúvidas, talvez bem mais inquietantes do que a sua.

Essa é uma das razões pela qual escrevi recentemente que, diante do atual estágio do que chamamos de cristianismo, ser chamado de herege me soa elogio.

Mas, afinal, somos nós que construímos nossos caminhos, dependemos de fato uns dos outros ou estamos expostos aos movimentos de (mau) humor divino?

Lá atrás eu disse que uma coisa está ligada a outra. Na verdade acredito que estamos todos conectados e, sendo assim, não há possibilidades de que o fato de eu estar sentado aqui diante do computador escrevendo a resposta para sua dúvida, deixe de interferir no seu dia, já que está lendo.

A maneira como a resposta lhe afetará desencadeará novas percepções e, consequentemente, comportamentos que certamente afetarão terceiros, em gente que se relaciona com você, em quartos que se relacionam com os terceiros e assim sucessivamente.

Tudo o que fazemos gera consequências, tudo o que pensamos interfere de um jeito ou outro e cada escolha reflete adiante, ainda que eu não tenha como mensurar a dimensão desses reflexos, mesmo que eu nunca possa imaginar até onde uma simples escolha refletirá.

Sabemos que somos conectados, temos consciência de que o olhar tem capacidade de modificar a matéria, de que nossas impressões e movimentos não se limitam a nossos passos e que uma coisa leva a outra que constrói uma outra que se transforma em algo que muito provavelmente nenhum dos envolvidos imaginou.

E o livre arbítrio? Você pergunta.

Ainda que nossos condicionamentos e limites muitas vezes nos impeça de enxergar nossas escolhas com clareza, cada um de nós pode escolher o que vai fazer com o que lhe acontece, onde vai mexer, o que vai aceitar, recusar ou recuar e, sobretudo, que tipo de significado emprestará a cada situação. Ai é que está.

Acontecimentos se repetem, se desdobram, atingem a coletividade muitas vezes mas nunca afetará duas pessoas da mesma maneira.

Pode ser um Tsunami, uma grave crise financeira em um continente inteiro, uma epidemia, não importa, o fato é que eu e você, afetados pelas mesmas consequências podemos escolher o que faremos com elas, que significado daremos e, a partir de então, como refletiremos daqui para frente, nos terceiros, quartos e quintos de nossa relação, aquilo que me atingiu.

Ainda não teremos controle sobre os desdobramentos futuros e a produção de nossas escolhas pode gerar acontecimentos inimagináveis, mas, ainda assim, o que vier estará exposto sob a luz da minha consciência, como quem aprende a enxergar em tudo uma grande oportunidade, ainda quem muitas vezes não consiga projetar significado imediatamente, mas apenas quando puder encaixar aquela experiências com outras que ainda estão a caminho (tudo – inclusive as experiências – está conectado).

Quando chego nesse ponto de percepção, o livre arbítrio imediatamente deixa de ser uma angústia. Não tenho controle sobre as coisas, mas sei que sou livre para significá-las e é isso que importa.

Dependendo de como eu chamar um acontecimento, de tragédia ou benção, lição ou castigo, acaso ou consequências, dependendo do que eu escolher fazer com aquilo, projetarei adiante, como uma nova referência, um outro ponto de partida, um re-gênesis de um fato, para uns ruins, para mim, quem sabe, uma grande oportunidade.

Os acontecimentos tem bem menos importância do que o significado que damos a eles. E isso não é divino?