Sobre as inquietudes e desconfortos de existir *Para quem se sente de outro mundo

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Se olharmos com honestidade, nossas metas, relacionamentos e prioridades são tentativas de nos sentirmos seguros, afinal, em um mundo que se movimenta, onde nada é estático, onde tudo se transforma, soa desconfortável a ideia de que não temos o controle.

Estudamos, nos preparamos, nos informamos, trabalhamos, enriquecemos, nos relacionamos, mas estranhamente a sensação de desconforto não some.

Então nos distraímos, brincamos de não ver, nos engamos até que os afunilamentos do tempo, do corpo, da saúde, ou então as contingencias da vida nos encaminharão até a instância onde teremos de enxergar e finalmente nos questionarmos com total sinceridade: afinal, o que eu fiz com minha vida?

Em certa manhã

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Certa manhã, daquelas que a chuva persiste atrapalhando planos, cancelando compromissos, me lembrei que o pior poder dessas tempestades é nos fazer acreditar que a luz do sol não voltará e as coisas são assim mesmo.

Pior: Se não cuidarmos do nosso coração, nem perceberemos que os dias mais belos, as melhores sensações, o bem estar que a chuva esconde, tudo isso, só existe dentro de nós.

Nesse dia saí na chuva e não tive medo de me molhar. Deixei que seus pingos me lavassem e, ao invés de me proteger debaixo de qualquer coisa, me expus aos trovões sem medo de que um raio me atingisse.

Caminhei confiante sob o aguaceiro sem expectativa alguma, apenas sabendo que é no caminho que a gente encontra sentido. O tempo que ela iria durar deixou de ser um problema a partir do momento que eu entendi que precisava dela.

Nem notei direito quando o céu começou a aparecer. Logo, bem antes do que eu imaginava, as nuvens se dissiparam e quando dei por mim, era dia de novo.