O mistério que vive em nós

Padrão

Não posso defender o amor. Não posso descrevê-lo e qualquer tentativa nesse sentido seria, no mínimo, reduzi-lo, assim como fazem os compositores, os poetas ou quem se aventura nessa tentativa: Se fizerem com a alma, sem as pretensões de “quem sabe”, talvez consigam expressar um fragmento do amor, mas é até ai.

Resta aos que buscam, desistir das “defesas” e entregar-se ao fluxo natural da vida, a experiência compartilhada com gente, a consciência que se dilata quando respondo as demandas da vida com meu melhor, com humildade, com compaixão, com sabedoria, até chegar o ponto onde, sem descrevê-lo, sem explicá-lo, sem defende-lo, eu constante, perplexo e grato, que estou dissolvendo nele, sem questões, sem argumentos, apenas amor. É o máximo que posso chegar.

Quem sabe o que lhe habita

Padrão

A felicidade está dentro da gente, mas como experimentá-la se a confinarmos em nós mesmos? É possível nos fecharmos em um mundo particular com muros altos, inacessíveis, indiferentes, como se nos bastássemos e pronto?

O fato da felicidade morar em nós não significa que temos que nos fechar, especialmente por uma razão: felicidade, amor, paz, consciência, tudo o que nos habita, cresce na medida que doamos.

É como o amor, ele vive em nós, não precisamos buscá-lo em ninguém, mas o amor se aperfeiçoa quando compartilhado.

É uma lógica inversa: se eu escondo só para mim, diminui, se posso doar, cresce. Você não depende do outro, não busca em ninguém, não projeta em quem quer que seja porque sabe que está em você.

Quem busca no outro se enxerga vazio, esse nunca compartilhará. Será um vampiro emocional, alguém que acredita que um dia encontrá a felicidade no outro, nunca em si mesmo, por isso projeta, suga, procura e não sacia.

Quem sabe o que lhe habita, deixa que as virtudes cresçam para dentro, como condição existencial que se projetará na consciência, que irradiará naturalmente promovendo conexões.

Quando o amor mora em mim, apenas serei amor e isso produzirá vínculos, jamais autossuficiência, ou separação, ou arrogância.

Portanto, há sim felicidade em você, tudo começa dentro, não se busca em ninguém o que cresce em você, no entanto, uma vez percebido, sem vampirismo, naturalmente, seu caminho será na direção dos vínculos, do compartilhar, do doar-se, da felicidade, jamais da solidão.