Tudo bem

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Avalie até que ponto suas preocupações são necessárias e livre-se do peso sobressalente. Você não precisa disso. Viva o hoje, aquiete-se, livre-se do que você não sabe como será, do que sua preocupação não pode mexer.
Amanhã, novos cenários, novas conexões, outras tantas possibilidades, tudo se renovará quando o amanhã virar hoje.
Então, fique no hoje e descanse. Tudo vai ficar – já está – bem.

Como ser alguém espiritual?

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Reservei um tempo agora de manhã para responder e-mails acumulados desde o dia 17/12. Ficaram alguns, é difícil responder todo mundo, mas sinto que as pessoas entendem, que sinceramente gostaria de poder responder com calma, um por um. Mas, resumidamente, um assunto bastante recorrente é “como faço para entender, para superar, para ser alguém melhor, para iluminar-me de fato? ”

Em todos os casos, respostas semelhantes: Não há crescimento espiritual sem crescimento humano. Um está diretamente vinculado ao outro. Nos desenvolvemos quando caminhamos com naturalidade, atentos as demandas do cotidiano e procurando responde-las em amor.

Nenhum de nós é perfeito, encontramos dificuldades, uns dias serão mais difíceis do que outros, mas isso faz parte do aprendizado. No fim das contas vale nossa disponibilidade em prosseguirmos a jornada com simplicidade, conscientes do mundo que vive em nós e reflete no todo, atentos as necessidades de quem se aproxima, fazendo o que posso sem inquietudes, sem sentimentos messiânicos, sem nenhuma intenção de “salvar o mundo”, sem culpa, sem alardes, sem expectativas de nenhuma natureza, em paz.

Viva hoje, esteja no momento, não se projete no que já foi ou no que você nem sabe se virá. Não se pré-ocupe com nada.

A maioria dos nossos problemas, apesar de diferentes na superfície, são extremamente parecidos na essência e quase sempre estão ligados a nossa falta de equilíbrio, nossa pressa, nossa dificuldade de enxergar as bilhões de oportunidades que cada acontecimento carrega.

Crescemos espiritualmente quando seguimos nosso caminho sem desconsiderar nossa humanidade, humildes, atentos, serenos, promotores da paz, transformadores de pequenos mundos, os que vivemos, os que nos cercam e, sobretudo, o mundo que nos habita.

Para continuarmos na rota

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Esperamos que a vida nos trate a partir de critérios egoicos, quando na realidade nossa aritmética baseada em pseudo merecimento não tem a menor influência no resultado final. No fim das contas o sol brilha para todos e a chuva não poupa ninguém. Isso nos deixa indignados !

A crença na ilusão de que nossos corações confusos, almas mesquinhas, mentes inquietas, são suficientes para definir os “castigos” e “recompensas” do outro e de nós mesmos, é um dos maiores geradores de gente amargurada, que nem sempre confessa ou conhece a razão, mas que vive sob protesto, sempre olhando para o outro, sempre preocupado com o que não é da sua conta, sempre descontente por que as coisas dificilmente acontecem exatamente conforme o script fixado na mente.

Esse não vê as bilhões de possibilidades a sua volta. Não percebe quando uma porta abriu ou que chegou o tempo de fechar a que estava aberta. Não consegue fazer conexões entre acontecimentos, não enxerga as sutilezas do caminho, não entende as assimetrias, os desvios, as curvas necessárias para continuarmos na rota.

Um caminho simples

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Existe uma fronteira, um tempo onde deixamos de ser essência, intuição, percepção e nos transformamos em….homens “inteligentes” ?

Acho que não. Não vamos dormir puros e acordamos impuros, não é um “start”, mas um caminho. Caminhos são escolhas.

Acontece que, no fluxo, parece que não temos escolhas. Somos facilmente empurrados pelas demandas – sejam elas quais forem – que balizam nossos passos, contendo, formatando, dogmatizando o que antes era só liberdade para crer, pensar, sentir, acertar, errar, perceber, ser, viver. Isso nos intoxica.

Para mim todo sistema religioso, fechado, hierárquico, dogmático é um desses tangenciadores, especialmente porque acredito que toda doutrina é fechada em si mesmo, existe para se preservar. Ainda que em muitas haja reflexos de luz, nenhuma é a luz, ainda que seja sempre possível crescer e melhorar seguindo-as, chega um ponto em que nos deparamos com o limite que todas tem: são só doutrinas, só letras.

Acredito que a luz que tanto procuramos fora, vive dentro da gente. Ela nos habita e não se apaga só porque crescemos, mas nosso caminho distraído, levado pelo fluxo da distração, simplesmente nos torna “adultos” de mais para acreditarmos que é assim, simples, natural, acessível.

Precisamos dificultar, afinal, nos intoxicamos com “verdades”, sobrecarregamos nossas mentes, nossas almas, complexificamos tudo, viramos teólogos, mestres, sacerdotes, doutores até o dia que deixamos de enxergar. Cegos guiando cegos na beira do precipício.

Não preciso de respostas prontas porque tudo o que preciso está dentro de mim, refletido no pássaro que canta de manhã na minha janela, no cheiro de grama que sinto nas minhas caminhadas matinais, no amor da minha família, na vida que habita cada ser, cada planta, cada dia, na harmonia que não se abala nem quando o mundo caotiza, em tudo o que me reflete. Eu só vejo.

É um caminho, uma escolha aonde a vida só se explica como milagre, logo, tudo o que é vida me ensina, extrapolando limites da mente ou do ego.

Fico a vontade em me servir do que convém, mas sem a necessidade de comprar pacotes, em me definir como isso ou aquilo, sem adesões incondicionais.

Sou apenas um homem grato por estar aqui, perplexo diante da vastidão de vida em todos os lugares, que no caminho da simplicidade entendeu que luz nem sempre é aquilo que ofusca, mas que ilumina meus passos, minha mente, meu coração e, no fim, me torna alguém melhor, mais humano, mais simples, mais conectado. O que for além disso, sinceramente, dispenso.