A condição essencial de ser livre

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Interessante notar a dificuldade que grande parte das pessoas tem em aceitar que o essencial da vida está acessível para quem quer que simplesmente perceba, e isso não tem nada a ver com intelectualidade, conhecimentos religiosos ou esotéricos. Por essencial me refiro a nossa capacidade de amar, relacionar, reconhecer o que realmente importa.

A maioria de nós sustenta discursos em nome da liberdade, da independência de pensamentos, da possibilidade de desenvolver nossa condição humana e espiritual, mas, basta uma simples observação mais atenta para concluir o quanto nosso discurso se contradiz enquanto se vincula ao que nos dá sensação de segurança, nossa religião, nosso grupo, nossa crença, nossa filosofia de vida que se legitima na massa, ainda que a “massa” nesse caso seja restrita ao “meu grupo”, aos meus iguais.

Precisamos de um mestre iluminado, uma religião, um slogan, um sistema de crenças para identificar, para acreditar que estou no caminho certo, que alguma coisa especial e exclusiva, um mistério, uma iniciação me tornará especial.

Percebo isso com muita clareza quando alguém insiste em saber minha religião, minhas referências, minhas técnicas, se sou isso ou aquilo, se fiz tal curso, li fulano ou sicrano, ocidental ou oriental, em que me baseio para escrever, de onde vem minhas influências, e, nesse labirinto de divagações, não percebem que não falo nada que não esteja na vida, dentro de nós, verdades que gostamos de vestir com nomes, culturas, sistemas, mas, sempre tem como fundamento o simples, o cotidiano, a possibilidade de experimentar na vida. Na minha e na sua vida.

Meu esforço é para que meus leitores saiam das jaulas, experimentem a liberdade, pisem na grama, na areia, se exponham ao sol, a chuva, se vinculem, não como quem procura semelhantes, mas reconheçam espantosas semelhanças naquele que não aparenta nada em comum.

É por isso que faço questão de não vincular meu trabalho a absolutamente nada, nem ninguém, sem códigos, sem bandeiras.

Dia desses veio um homem aqui reclamando que pareço “dono da verdade” pois dificilmente posto texto de outras pessoas, não cito referências, não falo “como diz fulano”, mas saiba, é intencional.

Quero que meus leitores identifiquem no conteúdo que produzo a liberdade que me proponho a compartilhar; você pode pensar, você pode acreditar, desacreditar, desenvolver, vincular, ser grato, amar, e, para tal, basta que seja. A verdade não é minha nem de ninguém, não pertence a grupos, muito menos aos que a reivindicam como propriedade exclusiva, a verdade é, está na vida, está em tudo, mesmo que em primeira instância aparente contradição.

Seja como as crianças, seja como os bichos, seja como um dia foi, espontâneo, aberto, perceptivo, livre, presente, inclusivo, sem preconceitos, sem absolutos opressivos, atento a vida, não aos discursos prontos, não as regras fechadas, não as frestas, mas as aberturas, as janelas, as portas abertas sempre que enxergo no simples as maiores lições da vida.

Não me oponho a nenhuma técnica, nem a ninguém, apenas insisto que são todas desnecessárias. Nada disso é essencial. Nada.

Podem ajudar? Em alguns casos sim, claro, mas será bom se não virar absoluto, se for durante um tempo, se for apenas ferramenta, não material da construção.

A construção só se solidifica interiormente e se sustenta com o desenvolvimento dessa abertura de percepção, a liberdade de quem, grato, encontra todos os dias nas próprias experiências, maiores e menores, as maiores e mais incríveis oportunidades para ser. Acredite, viver é um privilégio incrível e libertar-se das jaulas faz-se, cada vez mais, absolutamente necessário.

Meus “propósitos”

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Não tenho um propósito, eu só caminho. Não falo nem escrevo nada que antes não seja para mim, não fale comigo, não sirva para minha própria caminhada. Enquanto caminho irradio com naturalidade e quem quer ouve, quem se identifica chega, só isso. Não faço grande força nem movimentos para “arrebanhar” quem quer que seja. Isso me dá liberdade e permite que eu fique atento ao que acontece, aos passos que dou, aos direcionamentos naturais nesse processo. Sou independente, não vinculado a grupos ou pessoas, sem religiões, portanto, simplesmente vou e, nessa ida, fico feliz em perceber que alguns chegam e caminham comigo enquanto sentirem vontade. Essa é a ideia. Cresçamos juntos !