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Flavio, como conseguiu chegar nesse estágio? Pra você deve ter sido fácil

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Um diálogo de agora há pouco no FaceBook:

Pergunta- Gostaria de entender como conseguiu chegar nesse estagio. Acredito q pra você não foi difícil, pelo pouco que li a seu respeito Flavio Siqueira. Mas acredito q para a maioria das pessoas foi através do sofrimento

Flavio- Tudo o que escrevo deve obrigatoriamente ter aplicabilidade em mim, conexão com minha história, com o que vivo.

Não sou diferente de ninguém, muito menos no que se refere as dificuldades e ambiguidades interiores. Não sinto que esteja em nenhum “estágio”, especialmente porque me recuso a parar de caminhar.

Acredito que sabedoria é algo que cresce com a experiência, com os altos e baixos e, sobretudo, nossa disponibilidade de viver as estações da vida, sejam elas quais forem, pacificados interiormente, quietos, ainda que lá fora as coisas não estejam tão calmas assim.

Com o tempo aprendemos a projetar significados em tudo, vamos conectando as experiências, sejam elas quais forem, e, então, percebemos que não há nada em vão, nada que não possa servir de ferramenta para minha construção pessoal, tudo é oportunidade, sempre chances que se renovam.

Tive e ainda tenho que lidar com muitas dores na vida, você nem imagina, não mesmo, mas sou eu que escolho o que fazer com o que acontece, ando por consciência, procuro enxergar e me manter aberto para os sinais, os mesmos que você e todos estão expostos todos os dias, e deixar que eles façam o constaste entre o cara que tenho sido e o homem que eu sei que sou.

Não se iluda, nem pense que para mim é mais fácil. Só falo sobre os caminhos que percorri e ainda percorro na esperança de que o mundo que sonho, antes de tudo, aconteça dentro de mim. É isso.

Por que tanta oscilação?

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Somo assim, seres ambivalentes, carregamos luz e escuridão e às vezes uma ou outra tenta ocupar mais espaço. Na verdade não existem fórmulas e por mais sadio e recomendável que tenhamos uma vida tranquila, uma alimentação equilibrada, bons relacionamentos, nada impede que ás vezes sejamos confrontados com áreas descobertas, sombras que carregamos sem saber, dificuldades a serem melhoradas, percepções para aguçar. Não se preocupe.

A felicidade traz pontuações de tristezas, não necessariamente por nenhuma inconsistência, mas como ferramenta de equilíbrio para a mente, que, entregue a um estado permanente de alegrias, se entorpeceria.

Nossa cultura, além de nos sobrecarregar, incute todos os dias a necessidade de “ser feliz”, ainda que a tal felicidade proposta seja tudo, menos consciência.

Ainda que todos queiramos ser felizes, ainda que estejamos caminhando para isso, ainda que minhas escolhas diárias mantenham essa intenção, ainda assim, como seres relativos que somos, temos a oportunidade de experimentar estágios de dores, de tristezas muitas vezes inexplicáveis, mas que apontam para um constante caminhar, ajustamentos interiores, reorganização de prioridades, inquietudes que podem doer, mas me tiram da zona de conforto e, se aceitas e não combatidas com mais angústias, produzirão um ser experiente, lúcido, sábio, pacificado e, finalmente, equilibrado. Feliz, apesar das tristezas.

Existem as tristezas causadas por componentes (ou a falta deles) químicos e nesse caso uma consulta médica ajuda, mas não é sobre essa que me refiro.

Falo sobre dores de seres sensíveis que existem em meio a contradição, que carregam ambivalências na interioridade, experimentando a finitude, ainda que a partir da perspectiva de uma consciência infinita, que aprendem com dores muitas vezes, mas sempre diante da oportunidade de escolher que significado darão ao que acontece, de crescer e aprender a amar. Nem sempre é fácil, mas talvez, se fosse tão fácil, não aprenderíamos jamais.

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