Aquiete-se e ouça / Som dos grilos desacelerado

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A vida é cheia de sons, irradia música, poesia, beleza em tudo. Você consegue ouvir? Quando conseguimos ficar em silêncio é possível ouvir parte da harmonia presente até no caos, na gente, na natureza, na vida e na morte. Semana passada repercutiu a notícia de um compositor que alterou a velocidade da gravação do som do canto dos grilos. O resultado é lindo, revelador! Quando ouvi aquele coral de grilos, escrevi um texto e usei o maravilhoso som como trilha para meu novo vídeo. Veja e ouça. Há muito mais sons entre o céu e a terra do que nossa vã filosofia supõe. Aquiete-se.

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Sempre dentro

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Olhe para seu vazio sem projetar ninguém lá. Trate dele, cuide, observe-o, pacifique-se. Tudo começa dentro.
Quando for assim, a pessoa, ou a situação certa aparecerá, mas você não dependerá mais disso, não dependerá de um amor correspondido ou de uma determinada meta cumprida. Esse latejamento hoje aponta na direção de algo ou alguém, mas, entenda, não é lá, é ai, não é fora, é dentro. Sempre dentro 

O que é a realidade?

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Hoje escrevi sobre alguns comentários que de vez em quando chegam aqui :”O que você propõe é bonito, mas não se conecta com a realidade”. Mas, afinal, o que é a realidade?

Pensar sobre isso pode abrir um leque de possibilidades, especialmente no sentido de questionar até que ponto a sua realidade não é uma projeção, algo criado por você a partir dos movimentos da vida ao seu redor, dos acontecimentos, especialmente dos significados que você escolhe para eles.

Não é você que cria os acontecimentos, mas, como eles refletirão em você, o que desencadearão, como reagirá, sim, isso é uma escolha. E não é de escolhas que nossa realidade é construída? Abaixo um áudio com menos de 3 minutos refletindo sobre o assunto. Ouça, pense, entenda.

https://soundcloud.com/flavio-siqueira-1/reflex-o-com-flavio-siqueira-3

Portanto, aquiete-se

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Não tem jeito. Se eu fosse elencar os questionamentos que chegam a mim por ordem de assunto, “como faço para me aquietar” ganharia disparado.

As razões são inúmeras, mas todas conduzem para o mesmo ponto, a sensação de que a vida virou uma gangorra, altos e baixos, muitas vezes mais baixos do que altos, dificuldades, pressões, dúvidas e dívidas. Vez ou outra, talvez você já tenha notado, chega gente aqui com espírito beligerante, indignado , me mandando para lugares que não se deveria mandar ninguém. Inquietos.

Inquietos que não sabem mais aquietar. Que se jogaram em uma espiral de loucuras até o ponto, insano ponto, onde o silêncio virou desafio e a quietude, utopia. Sim, esse é um dos adjetivos que muitas vezes tenho recebido como “avaliação” do que escrevo: “gosto do que você diz, apesar de achar utópico, impraticável, desconectado com a realidade.” Ora, qual realidade? Uma vida corrida, cobrada, cansada, temerosa, inquieta, desequilibrada, afinal de contas é assim para todos? Sinceramente é assim que acredita?

A realidade é fruto de nossa interpretação. Sempre. Ainda que os acontecimentos sejam os mesmos, o sol nasce para todos, mas só alguns aproveitam, os pássaros sempre cantam, mas para outros seu canto é um tormento, o cotidiano, as experiências, a vida que nos envolve, são presentes, são dádivas, mas só alguns são gratos e por quê ?

Porque estamos desatentos de mais, reclamões, rabugentos, distraídos, intoxicados, inquietos.

Como faço para me aquietar? – as pessoas me perguntam. Não sugiro nenhuma técnica (ainda que possa ajudar alguns), nenhum mantra, nenhum sistema, nenhuma mágica. Para aquietar-se, meu conselho é : venha para o agora, preste atenção no hoje. É isso. O resto é paliativo, funciona apenas por algum tempo.

Pare de ouvir seu fluxo de pensamentos que apenas sobrecarrega sua percepção. Você fica tão focado “no que será do amanhã” que não percebe o que tem sido agora. Sim, pare um pouquinho.

Sei que no começo é difícil, sei que a mente luta, especialmente por estarmos tão condicionados em um sistema que nos faz assim todos os dias, que precisa de nossa inquietude para sobreviver, o “deus mercado”, a “deusa economia”, o “deus entretenimento”, o “deus religião” se alimentam disso. Você nem imagina quanto.

Permitimos que contaminem nossas distrações, nosso trabalho, nossa vida com desejos e preocupações, com inquietudes de todas as naturezas que já estão absolutamente absorvidas por nossa cultura, tão presentes no dia a dia que nem percebemos que está ai a razão de nossa dificuldade em voltar para o natural, de sermos o que somos, de descansarmos, de aquietarmos. Aquietar-se? Utopia ! É a mensagem implícita que compramos e reproduzimos como robôs, sem alma, sem ver, sem perceber.

Poderia ir longe nesse texto (no ano que vem quero escrever um livro sobre isso), mas, por enquanto, se chegou até aqui, acredite, não é tão difícil assim.

Comece pelas pequenas coisas, comece a prestar atenção no cotidiano, nas pessoas, na natureza, em si mesmo. Sinta-se vivo. Sim, você está vivo e isso deve importar alguma coisa, não? Interrompa seu fluxo de pensamentos viciados, coloque bons pensamentos em sua mente, leia, ouça boa música, pare de se alimentar de lixo. Vamos com calma, é possível, um passo hoje, outro amanhã, aos poucos, é real, dá para ser assim.

Que hoje seja o primeiro passo, que você venha para o agora, que você enxergue, não se entregue. Há um mundo incrível a sua volta, bem maior do que o trabalho, as cobranças, a dívida, a dificuldade no relacionamento ou o que quer que esteja lhe inquietando. Aquiete-se, descanse, confie, amigo, isso é tudo o que você precisa para agora. É só isso, acredite, é só isso.