Afinal, qual o melhor caminho a seguir? (áudio)

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Sabe quando você se enxerga diante de uma encruzilhada e não sabe ao certo para que lado vai? Quantas vezes, depois de muito tempo no mesmo caminho, surge a dúvida sobre qual a direção correta: manter ou mudar? Seguir adiante ou interromper? Abaixo dois minutos e meio de áudio para refletirmos sobre isso. Tomara que te ajude !

https://soundcloud.com/flavio-siqueira-1/reflex-o-com-flavio-siqueira-2

 

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“Amor” não passa de uma palavra, um criação humana…

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Troca de ideias que mantive hoje no facebook e acabou alimentando um debate muito legal, aliás, deixa eu fazer uma confissão: adoro quando percebo que boa parte das pessoas que me leem, pensam, questionam, se manifestam. Isso é sensacional. Uns ajudam aos outros, concordam, discordam e todos crescemos. Obrigado!

Leitor: No mundo da relatividade e da subjetividade humana, entendo o que diz, mas quando pensamos em nível universal, atômico, quântico, etc, o “amor” não passa de uma palavra, um conceito, uma criação humana, que depende de nós para existir. Pode ser que o amor seja o “melhor resultado” para uma experiência “humana”, ao invés de ser a finalidade de toda experiência.

Flavio: “amor” de fato não passa de uma palavra. É nosso meio relativo de expressar, confinando em palavras, conceitos e criações humanas, o que transcende perspectivas universais, atômicas e quânticas (que também são palavras).

Tudo o que sabemos se vincula a nossa condição relativa e subjetiva, nossa humanidade é assim, portanto, nossos códigos não poderiam ser diferentes. Aqui estamos tratando justamente da “experiência humana”, a minha e a sua experiência, e tentando encaixá-la em nossos contextos, sobretudo nossa limitada compreensão.

Quando falo “amor” vou até onde posso expressar, até onde o “conceito” cabe no código, até onde posso me fazer compreender, no entanto, falo consciente do limite da palavra, das barreiras de compreensão, sem desconsiderar que, para além delas, seja em que nível for, em amplitude “universal”, “atômica” ou “quântica”, teorias, experimentos, ciência ou filosofia, tudo depende de nós para existir, tudo é relativo, rarefeito, discutível, ambíguo até que eu enxergue as conexões e perceba como tudo aponta para uma coisa só, como o fluxo parece seguir sempre na mesma direção, como os vários nomes e percepções não anulam o fato de que algo nos move, nos une, nos conecta, seja no nível humano ou atômico, um caminho que me projeta em percepções, apesar dos limites, apesar das distâncias, a isso, amigo, eu chamo amor.

A finalidade é aprender a amar? Parece que não encaixa – Leitor pergunta

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Leitor: Gostaria que me respondesse a única coisa que pra mim não encaixou em toda a sua filosofia: Se as coisas não possuem um significado real ou não possuem uma finalidade perceptível para nós, como encaixar o aforismo “A finalidade de toda experiência é aprender a amar” em tudo isso? Não seria melhor afirmar que a finalidade de toda experiência então é a transformação?

Flavio: Quem disse que o significado não é real? O fato dos acontecimentos não carregarem significados próprios não quer dizer que não são reais. Esse é um limite da mente moderna: ou a realidade é absoluta e se aplica generalizadamente ou é falso.

Na minha opinião a realidade falsa é a superficial – que boia na superfície – e é distorcida pela nossa dificuldade em projetar consciência.
Ainda que eu porventura projete um significado oposto ao seu no mesmo acontecimento, tanto o meu, quanto o seu, continuam reais por algumas razões: o fato de um acontecimento não carregar significados absolutos, abre uma dimensão infinita de possibilidades, todas reais, todas aplicáveis, todas intrínsecas ao ocorrido, o que torna todas as variáveis possíveis, todas as possibilidades viáveis.

A outra razão é que, sendo assim, naturalmente minha relação com as experiências mudam, primeiro porque não preciso me dedicar a “decifrar” o que ela diz, afinal, como imaginar que um acontecimento único que atinge uma multidão, cada um com sua história, cada qual com suas peculiaridades, contém uma única mensagem?
Segundo, é que assim descubro que, se os acontecimentos não carregam significados absolutos, quem carrega sou eu, esses são verdadeiros, e por isso projetáveis no que acontece em minha vida.

Acontecimentos são apenas mídias que revelam o que é, o que vive na gente, não neles.

O que vive na gente é o que somos, mascarados pelo ego, pelas contingencias, pela cultura, pelas crenças até que tenhamos coragem de encarar e, a partir dos significados – não dos acontecimentos propriamente- mas que saem de mim, ter a chance de melhorar-se, curar-se e conectar-se com o absoluto, que se expressa na relatividade, afinal, de outra maneira nenhum de nós compreenderíamos, se projeta em fragmentos, inclusive na superficialidade, para que, de significados em significados, cresçamos até o ponto de conexão e entrega a energia vital, motora e essencial: o amor, a finalidade de toda experiência.

O que houve na noite passada?

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O que houve na noite passada ?
Não. Se você sentiu calor, frio, teve sede, acordou de madrugada, levantou cedo demais, não é isso que quero saber.
Por exemplo, quando o relógio marcava 3:04 AM, onde você estava ?

Talvez já estivesse deitado, provavelmente no quinto sono, mas isso é o máximo que consegue me dizer ?
Se o dia tem vinte e quatro horas e em cada uma delas seu corpo preenche um espaço na existência, o que eu quero saber é: o que houve exatamente com você na última madrugada?

Quando vamos dormir saltamos no escuro. Se durante o dia você tenta manter as coisas sob controle, sabe que, ao deitar, não controlará mais nada.

Seus sinais diminuem, suas pálpebras pesam, pensamentos se confundem e o rico empresário, pobre porteiro, garçom, engenheiro, ator, costureira, médico, mendigo…todos se igualam.

Deitados na cama ou no chão nos despimos daqueles que
tentamos convencer aos outros que somos.
Olhos fechados, corpo inerte, sem poses ou imagens a não ser aquelas que habitam no inconsciente.
Onde está o doutor ? Cadê o famoso, abnegado, virtuoso fulano de tal ?

Nas ruas pouca gente. Quase não se ouve passos e a agitação das grandes cidades cede lugar a calmaria.
Centenas, milhares, milhões deixaram de interferir.
Durante algumas horas estarão vulneráveis. Enquanto o mundo continua girando e a existência em pleno curso, estarão entregues as divagações do inconsciente e ao repouso do corpo.

Serão assombrados, resgatarão fragmentos de pensamentos, terão insights, enquanto rostos, vozes, situações, lugares e tempos se misturam sem que você entenda o porque de tudo aquilo.

Não importa quem você pensa que é, ninguém resiste ao fechar dos olhos e ao desligamento da consciência.
Hora do inconsciente que insinua, aproxima, envolve, domina, guia e trás de volta sem que você saiba por onde esteve.
Na manhã seguinte tudo o que lembraremos é: tive mais uma noite de sono.

O arrogante e o humilde, gênio ou débil, rico ou pobre, despertarão em seus corpos e, a luz do dia, representarão seus papeis sem lembrar que, daqui a pouco, seremos todos iguais.

O que houve na noite passada ?

Enquanto você não falava o mundo continuava a girar, sem seu trabalho, a lua cumpriu seu papel, em sua viagem ao inconsciente, tudo estava no seu devido lugar.

Onde estava mesmo minha importância ?

Somos todos iguais, feitos do mesmo material e todos os dias somos forçados a lembrar disso.
Na noite passada houve mais uma entrega ao desconhecido, silêncio e encontros com a profundidade dos pensamentos, viagens ao secreto… Na noite passada, você estava igualzinho aos que despreza.

Se o dia tem vinte e quatro horas, lembre-se : em boa parte delas nada nos diferencia só para lembrar que não temos controle de nada a não ser a possibilidade de fechar os olhos, esquecer os pensamentos e simplesmente se entregar, se aquietar.

Quando aprendo a me aquietar, deito e relaxo. Fecho os olhos em paz, sabendo que amanhã terei mais uma oportunidade no tempo da minha consciência, até a próxima noite.